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quinta-feira, 24 de março de 2011

Fisioterapia Geriátrica

A área de Geriatria e Gerontologia está sendo atualmente muito visada, pois devido ao aumento da expectativa de vida, os idosos formam o segmento que mais cresce no Brasil.

A especialização em Fisioterapia Geriátrica tem como objetivo a promoção, manutenção e recuperação da saúde especifica do idoso, em todas as áreas de atuação do fisioterapeuta.

Como conseqüência das principais alterações biológicas ocorridas pelo processo de envelhecimento – a diminuição da massa muscular e da densidade óssea, perda da força muscular, perda da agilidade, da coordenação motora, do equilíbrio, da mobilidade articular, dentre outros – os idosos ficam mais vulneráveis às quedas, principais causas de acidentes.

A fisioterapia preventiva tem como objetivo criar um programa de “prevenção às quedas”, melhorando a força muscular, equilíbrio, propriocepção, coordenação motora e deve estar aliada com orientações aos pacientes (principalmente àqueles que apresentam comorbidades e que faz uso polifarmacoterapia) e familiares sobre retirada ou fixação de tapetes, instalação de faixas antiderrapantes no piso e barras de suporte no banheiro e em corredores.

Entre as alterações relacionadas à idade, estão a presença de fatores de risco e a ocorrência de doenças crônico-degenerativas, que determinam um certo grau de dependência, relacionado diretamente com a perda de autonomia e dificuldade de realizar as atividades básicas de vida diária, interferindo na sua qualidade de vida.

A existência de déficit ou perda da capacidade funcional (capacidade de o indivíduo realizar suas atividades físicas e mentais necessárias para manutenção de suas atividades básicas e instrumentais), que geralmente está associada com as condições de artropatias, hipertensão arterial sistêmica sistólica e/ou diastólica e cardiopatias; pode acarretar em fragilidade, dependência, institucionalização, risco aumentado de quedas, problemas de mobilidade e morte, trazendo complicações ao longo do tempo e gerando cuidados de longa permanência e alto custo.

Nesse caso, a fisioterapia é peça fundamental no que se diz respeito a recursos terapêuticos utilizados com finalidades de manutenção da autonomia e independência funcional do idoso, contribuindo para o envelhecimento saudável e bem sucedido.

Toda assistência à saúde do idoso a ser prestada pelo fisioterapeuta e toda a equipe de saúde, deve ser conduzida em conformidade com as Diretrizes Essenciais contidas na Política Nacional do Idoso, consubstanciadas na promoção do envelhecimento saudável; manutenção da autonomia e da capacidade funcional; assistência às necessidades de saúde do idoso; reabilitação de capacidade funcional comprometida e, apoio ao desenvolvimento de cuidados informais [1].

A atenção integral do idoso de forma mais humanizada, com ações de prevenção de agravos, promoção, proteção e recuperação da saúde, exigem a participação de equipes multiprofissionais e interdisciplinares, incluindo a participação do fisioterapeuta.

Dessa forma, baseando-se nas condições psico-físico-social, o fisioterapeuta é capaz de atuar desde a atenção básica até reabilitação, participando efetivamente na transformação social que se faz necessária à saúde e buscando promover, aperfeiçoar ou adaptar através de uma relação terapêutica, o indivíduo a uma melhor qualidade de vida.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Geriatria e Esportes


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Envelhecer, ficar curvado, perder a disposição para a vida. Tudo isto e muito mais pode deixar de existir. Primeiro é preciso colocar de lado alguns tabus e procurar em quanto é tempo, a orientação de um geriatra. Há muito que a geriatria deixou de ser a medicina do velho para se tornar a medicina do jovem que quer retardar o processo de envelhecimento. Tudo isso é possível graças a várias técnicas e aparelhos que trabalham diretamente sobre o cérebro, órgão que recebe as várias cargas de tensão, stress e problemas gerados no cotidiano.

A idade aconselhada para que alguém procure um geriatra é aos 30 anos. A vida agitada leva as pessoas ao stress principalmente porque elas não conseguem externar o que se passa com elas. A somatização de problemas reflete no psíquico e no físico. A maioria das pessoas tem dificuldade para falar e não se dá bem com psicoterapias.
Na nova geriatria algumas técnicas usadas são a neurolinguística, máquinas como o Pinel Trainer e o Megabrain, além, é claro, do uso correto das vitaminas, tudo para retardar o envelhecimento.
O importante no uso desta teoria é a mentalização dos objetivos a serem alcançados e metas pré-determinadas para cada um deles. Se a pessoa escrever em um papel suas metas em tempo de curto, médio e longo prazo, ela cria uma conotação muito séria para o cérebro, pois significa compromisso. A assinatura também é importante.
Depois das metas escritas começa a fase do relaxamento. O importante é baixar a freqüência cerebral e enviar mensagens que, certamente serão obedecidas.
O nosso cérebro funciona em quatro tipos de ondas. As ondas Betas, que são as mais rápidas e indicam um estado de alerta; as ondas Alfa, quando a pessoa continua consciente, mas mais voltada para dentro de si mesma; as ondas Theta, que são semelhantes ao estado anestésico e as Delta, conseguidas pelos iogues que têm completo domínio de si mesmos.
O objetivo da neurolinguística é fazer com que as metas cheguem ao cérebro através das ondas Thetas, para isso já existe o aparelho Pineal Trainer. As metas são gravadas em uma fita e submetidas ao aparelho e, durante algumas sessões, as pessoas ficam ouvindo suas próprias mensagens.
As pessoas entram em uma espécie de sono no início, pois conseguem ficar alertas embora a freqüência cerebral tenha sido baixada. Neste estado, o cérebro aceita tudo como verdade e vai começar a trabalhar para que as metas sejam atingidas. Este tratamento dura em média três meses.
Já este aparelho constitui-se de um fone de ouvido e óculos. Nele há programas específicos para insônia, stress, angústia, depressão, criatividade e concentração. Normalmente, os pacientes se submetem a ele durante 30 a 45 minutos, dependendo do caso.
Este aparelho ativa o lado direito do cérebro, exatamente o lado mais sábio, que é o da intuição, da criatividade, do subjetivo. De olhos fechados sob os óculos, as pessoas apenas enxergam cores formas ritmadas. Não há dor nem choque.
Por fim, as vitaminas são essenciais para o retardamento do envelhecimento. Afinal, aos 20 anos de idade temos 20 bilhões de células cerebrais. A partir de então, perdemos, diariamente, 200 mil células. Acelerar ou retardar esse processo só depende de nós.
Com a expectativa de vida do ser humano tem aumentado progressivamente,é conhecimento comum que para se atingir qualidade de vida mais saudável é necessário , entre outros aspectos, uma alimentação adequada às necessidades nutricionais individuais, equilíbrio emocional ante as pressões do dia-a-dia e a prática regular de atividade física.
A natação como a corrida e o ciclismo-pertence à família dos esportes de resistência, favorecendo a boa circulação sanguínea e o fortalecimento do coração, além de constituir excelente opção para quem deseja não só melhorar seu condicionamento físico, mas também relaxar, divertir e trabalhar novos estímulos emocionais e corporais.
Nadar é uma excelente terapia e, sem dúvida, um esporte que não impõe limitação de idade, aceitando de bebês a idosos. Certamente que a idade dos freqüentadores de um curso de natação, a disponibilidade de recursos e a formação profissional dos instrutores são o padrão e a descrição das atividades a serem executadas.
A natação como qualquer outro exercício aeróbico traz muitos benefícios para a saúde. Para a circulação sanguínea, a água auxilia a volta do sangue ao coração (circulação de retorno) diminuindo os efeitos da insuficiência vascular periférica.Isto constitui fator importante, principalmente para os adultos e idosos que, com o passar dos anos, têm a circulação de retorno deficitária.
No caso da respiração, o indivíduo, dentro de uma piscina sofre a ação da pressão hidrostática e, como conseqüência, ocorrerão alterações cardíacas, respiratórias e circulatórias. A exigência pulmonar é maior, dando ritmo à respiração e, conseqüentemente, levando ao fortalecimento da musculatura torácica. Esta exigência levará à melhor da função pulmonar.
A natação é ainda excelente para coluna vertebral, problemas ortopédicos e/ou posturais, pois fortalece o organismo como um todo e, sendo um esporte que utiliza o maior conjunto de massas musculares, torna nosso corpo mais saudável e resistente às doenças.
O fortalecimento das musculaturas anterior e posterior alivia a sobrecarga constante sobre a coluna vertebral, facilitando o relaxamento e auxiliando na correção de problemas posturais e/ou ortopédicos, sem sobrecarga. Tanto a natação propriamente dita como exercícios aquáticos propiciam ao indivíduo uma amplitude de movimentos que trarão melhora para seu tônus muscular. Melhor coordenação, flexibilidade, resistência física, melhora no equilíbrio, agilidade e na mobilidade articular são conseqüências consideráveis tanto em crianças como em idosos na prática regular da natação ou de exercícios aquáticos.
Fator que tem alcançado grande preocupação hoje em dia, os obesos podem encontrar na natação contribuição considerável, pois a prática desta provoca maior oxigenação e queima de calorias, auxiliando na redução de peso, levando ao aumento de massa magra e diminuição de massa gorda.
No caso de infecções, a natação provoca o aumento da oxigenação – que leva a uma melhora na vitalidade tanto durante a permanência na água como fora, e, como conseqüência, a resistência orgânica alcança um estágio mais elevado, diminuindo a predisposição a infecções.
Outro aspecto extremamente importante diz respeito a sociabilidade. Com a prática da natação, como qualquer outro esporte, o indivíduo estabelece uma relação com seu próprio corpo, adquirindo auto-estima e confiança. A prática de qualquer atividade esportiva proporciona a qualquer faixa etária, o desenvolvimento e resgate das habilidades que muitas vezes passam despercebidas. Além disso, é bom lembrar: Para a natação, bem como para outras atividades físicas, a freqüência e regularidade são importantes. Nadando diariamente é mais produtivo do que somente nos fins de semana.
Não perca tempo, elimine a vida sedentária, exercite-se, relaxe, caminhe regularmente e divirta-se. Em caso de dúvidas, procure um médico para avaliar a sua condição de saúde e dar o veredicto final para você iniciar de qualquer esporte. Afinal, viver bem é o que vale.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Prevenção de quedas em idosos


Os traumatismos resultantes de quedas da própria altura são um dos principais fatores que ameaçam a independência dos idosos. Muitas das vezes as quedas ficam sem a devida atenção dos profissionais de saúde e mesmo dos familiares e/ou cuidadores. Isto ocorre por uma série de razões, entre as quais eu destacaria três: [1] No caso de não haver testemunhas da queda, o idoso simplesmente não menciona o caso a ninguém, principalmente se não resultar em lesão. [2] Tanto os cuidadores quanto o paciente erroneamente acreditam que as quedas são uma parte inevitável do processo de envelhecimento e [3] Muitas das vezes, durante o tratamento de lesões resultantes de uma queda deixa-se de investigar adequadamente as causas da queda.
Como é o caso de muitas síndromes geriátricas, a tendência a quedas está associada ao somatório de vários fatores de risco. O resultado desta combinação compromete a capacidade de compensação postural do indivíduo.




Mas calma! Nem tudo está perdido. Um número considerável de condições que predispõem a quedas em idosos são modificáveis. Os fisioterapeutas que cuidam de pacientes idosos precisam rotineiramente inquirir sobre quedas, para avaliar e identificar os fatores de risco modificáveis. Esta postagem concentra-se em estratégias para prevenção de quedas em idosos, focado na literatura científica e sem o menor interesse de ensinar receitas de bolo.


Prevenção de quedas - Vários estudos que investigam estratégias para a prevenção de quedas têm sido conduzidos. Investigou-se o papel dos programas educativos e de intervenção para melhorar a força ou equilíbrio, a otimização dos medicamentos, e a própria modificção dos fatores ambientais em casas ou instituições. Algumas intervenções têm como alvo um único fator de risco, enquanto outros têm tentado enfrentar múltiplos fatores. Em geral, as evidências sugerem que as intervenções planejadas sob medida para os fatores de risco específicos de cada idoso são muito mais eficazes do que as aplicadas como um pacotão do tipo “receita de bolo que vale pra todo mundo”.


Intervenções específicas - Uma revisão sistemática recente da Cochranne, disponibilizada em 2009, avaliou 111 estudos randomizados de intervenções para reduzir a incidência de quedas, e envolveu 55.303 pessoas idosas [Gillespie LD, Robertson MC, Gillespie WJ, Lamb SE, Gates S, Cumming RG, Rowe BH. Interventions for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009, Issue 2. Art. No.: CD007146. DOI: 10.1002/14651858.CD007146.pub2.]. Diversas intervenções em idosos residentes na comunidade foram capazes de reduzir a taxa de quedas (número de vezes que um idoso cai ao longo de um período de tempo), mas a maioria não reduziu o risco de cair (por exemplo, o número de pessoas que caem), ou seja: As intervenções não foram capazes de impedir que os idosos sofressem quedas, mas foram capazes de diminuir o número de quedas ao longo de um período de tempo. Este é um achado particularmente interessante para quem pretende conduzir uma pesquisa sobre queda de idosos: Concentre-se na taxa de quedas ao longo de um período de tempo e não só no número de idosos que sofreram quedas.

Exercícios – As intervenções de exercícios pesquisadas podem ser agrupadas em seis categorias:• Marcha e treino de equilíbrio• Treinamento de força• Flexibilidade• Movimento (como Tai Chi Chuan ou dança)• Atividade física geral• Endurance
Em estudos que incorporaram várias categorias de exercícios, resultaram em redução tanto da taxa de quedas quanto o risco de queda. A prática de Tai Chi, que contém elementos de treinamento de força e equilíbrio, foi considerado eficaz na revisão sistemática e em outros estudos [J Am Geriatr Soc. 2007 Aug;55(8):1185-91.A randomized, controlled trial of tai chi for the prevention of falls: the Central Sydney tai chi trial], embora possa ser menos eficaz em adultos mais velhos frágeis de alto risco para quedas [Logghe, IH, Zeeuwe, PE, Verhagen, AP, et al. Lack of effect of Tai Chi Chuan in preventing falls in elderly people living at home: A randomized clinical trial. J Am Geriatr Soc 2009; 57:70.]. Programas de exercício exclusivamente focado na melhoria da marcha ou no treino de equilíbrio reduziram a taxa de quedas, mas não o risco de cair. Intervenções que se centraram em apenas uma das outras cinco categorias de exercício não reduziu a taxa de quedas [Tinetti, ME, Kumar, C. The patient who falls: "It's always a trade-off". JAMA 2010; 303:258].


Ambiente / tecnologia assistiva - Em uma meta-análise de seis estudos, as intervenções de segurança aplicadas na casa não foram capazes de diminuir a taxa de risco geral de quedas, mas reduziu a frequência e o risco de queda para os indivíduos com maior risco de cair (exemplo: indivíduos com alterações visuais). A avaliação e a correção de alterações visuais (ex: catarata) isoladamente não reduziu o risco ou a taxa de quedas.


Educação - Educar as pessoas idosas sobre a prevenção de quedas como uma intervenção única, não reduzir a taxa e nem o risco de quedas.


Resumão e recomendações
Quedas em idosos são devidas a fatores extrínsecos interagindo com fatores intrínsecos relacionados a idade. Múltiplos fatores de risco já foram identificados, incluindo história de quedas, fraqueza de membros inferiores, idade, sexo feminino, déficit cognitivo, déficit visual, problemas de equilíbrio, o uso de drogas psicotrópicas, artrite, história de acidente vascular cerebral, hipotensão ortostática, tonturas e anemia.


Me parece razoável dizer que a intervenção para prevenção de queda em idosos é multimodal e multiprofissional. Como sugerido pelos estudos publicados, para um cuidado adequado, não adianta treinar a marcha isoladamente, ou apenas modificar os fatores ambientais. Faz-se necessário incluir uma intervenção conjunta dos profissionais médicos (Controle clínico, e ajuste dos medicamentos), dos fisioterapeutas (exercícios) e dos terapeutas ocupacionais (avaliação e adaptações ambientais e das AVD´s).


Mesmo quando os programas de prevenção da quedas tenham sido bem sucedidos em uma pesquisa controlada, a aplicação de intervenções semelhantes no “mundo real” nem sempre resultou na prevenção de quedas [Elley, CR, Robertson, MC, Garrett, S, et al. Effectiveness of a falls-and-fracture nurse coordinator to reduce falls: a randomized, controlled trial of at-risk older adults. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1383. - - - Hendriks, MR, Bleijlevens, MH, van Haastregt, JC, et al. Lack of effectiveness of a multidisciplinary fall-prevention program in elderly people at risk: a randomized, controlled trial. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1390.]. Neste caso, foram identificadas como possíveis barreiras para o sucesso na implementação das estratégias de prevenção, os seguintes fatores: [1] Resistência a aderência ao programa de exercícios e modificação do ambiente proposto. [2] Falta de expertise na implementação do treino de equilíbrio. [Tinetti, ME. Multifactorial fall-prevention strategies: time to retreat or advance. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1563.]

Apesar de alguns resultados contraditórios, é razoável (e prudente) abordar os idosos que têm uma história de queda através de uma avaliação geriátrica multidimensional, com intervenções específicas aos fatores de risco identificados. É importante ressaltar que a maioria dos estudos na comunidade não aborda especificamente os idosos com comprometimento cognitivo. Assim, a eficácia das intervenções de prevenção de quedas nesta população permanence desconhecido.