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domingo, 19 de junho de 2011

Fisiopatologia da Entorse x Contusão x Distensão

Entorse

Ocorre em conseqüência de estresse excessivo, de uso excessivo ou hiperdistensão. Pequenos vasos sanguíneos do músculo se rompem e as fibras musculares sofrem minúsculas lacerações. O paciente apresenta inflamação, sensibilidade local e espasmos musculares.


Contusão

A lesão é confinada aos tecidos moles e não afeta a estrutura músculo-esquelética.

Muitos vasos sanguíneos pequenos rompem, produzindo equimoses ou um hematoma. A
aplicação de compressas frias ajuda a aliviar a dor local, o edema e as equimoses. A resolução de uma contusão, geralmente ocorre em duas semanas.


Distensões

Resultam de um movimento anormal súbito ou do estiramento de uma articulação, comum nas quedas ou em outras lesões acidentais. A força gira a articulação em uma direção para a qual ela não foi projetada, ou a desloca além de sua amplitude normal de movimentos, lacerando ou rompendo parcialmente a fixação dos ligamentos.
Contudo, nas distensões traumáticas graves, um fragmento do osso ao qual o ligamento está fixado pode descolar = fratura por avulsão.

Pode se formar um hematoma posteriormente, contribuindo para o aumento da dor.


Sinais e Sintomas

A área lesada torna-se imediatamente dolorosa, e em geral com a formação de edema.
Tipicamente o paciente evita sustentar o peso total do corpo ou utilizar a articulação ou membro lesado – posição antálgica.
Podem surgir (mais tarde) equimoses

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A dor-fantasma

Quando há a sensação de dor no membro amputado, denomina-se o fenômeno de dor fantasma, que é a consciência de dor na extremidade amputada. 


Segundo Fisher5, a dor no membro-fantasma pode ser prevenida quando os pacientes são encorajados a expressar o sofrimento da perda, o que nos remete ao valor não só fisiopatológico, mas emocional da dorfantasma. Teixeira et al.6 relatam que a sensação-fantasma funcionaria como uma alucinação nos sujeitos com dificuldade em aceitar a mutilação, e a dor-fantasma seria como um sonho e o desejo de preservar a integridade anatômica corporal. Neste sentido, a sensação-fantasma no paciente amputado também pode ser entendida como uma tentativa de reintegração corporal. No entanto, nos casos de dorfantasma, esta tentativa não pode ser considerada positiva ou produtiva. Segundo Zereu7, muitas vezes a dor-fantasma impede o processo de reabilitação, além de não ser condizente com uma visão real da deficiência, na medida em que nega esta e prejudica o estabelecimento de novas condutas adaptativas diante da deficiência, causando danos na reabilitação global do paciente amputado. A mudança de alguns valores internos já estabelecidos, referentes tanto a situação de perda como da auto-imagem e da auto-estima, deve ser trabalhada para propiciar melhor elaboração e aceitação da perda ocorrida, bem como enfrentar a depressão decorrente da situação. A elaboração de uma nova imagem corporal pode ocorrer de várias formas. A dor-fantasma, mesmo não sendo a forma mais produtiva, é uma dessas. Pela dor, o indivíduo nega a amputação e revive a experiência de ter o corpo intacto. Segundo estudos de Pucher e Frischenschlager8, 89,3% dos pacientes com queixas de dor no membro-fantasma retrataram-se no desenho de sua auto-imagem corporal de forma íntegra, negando a amputação, o que sugere que pacientes que negam sua amputação sofrem mais de dor no membro-fantasma do que aqueles que puderam reintegrar sua imagem corporal, aceitando a deficiência e os limites impostos por esta (destes, apenas 50% desenharam-se de forma intacta). Da mesma forma, Racy² aponta que, a partir da análise dos sonhos e dos desenhos de autorepresentação corporal, pode-se perceber que os pacientes que se adaptaram bem à amputação retrataram-se no desenho da figura humana com o membro bem curto ou amputado e incorporavam as próteses ou a falta do membro nos sonhos, enquanto aqueles que estão mal adaptados desenharam-se de forma intacta, sem a amputação, e mostravam grande preocupação com o membro amputado durante o sonho. Racy² e Jiménez9 também referem que a sensação e/ou a dor-fantasma não são observadas naqueles pacientes que nasceram com a falta de um membro e naqueles que tiveram a perda do membro ainda muito novos. Afinal, a amputação nestes casos não representava a perda da integridade corporal, haja vista que estes pacientes ainda não haviam formado uma imagem corporal que integrasse o membro perdido. Além disso, sabemos que nossos conflitos escolhem órgãos que estejam a eles ligados para sua expressão corporal; deste modo, a dor-fantasma pode expressar o conflito central do paciente diante da amputação, já que esta ocorre no membro amputado, e não em outro órgão qualquer. Assim, a dor-fantasma no paciente amputado pode representar uma tentativa de o indivíduo sentir-se ainda intacto, negando a amputação, mas não se mostra uma alternativa adaptada e produtiva, posto que, além de ser uma falsa percepção de si próprio, o que causa danos na reabilitação global do paciente, a amputação mostra-se a todo momento ao indivíduo. Como vemos, a aceitação da deficiência física e a conseqüente reintegração corporal implicam também num movimento psíquico de integração dos aspectos sombrios da personalidade. Porém, este é um processo lento e que exige a elaboração do luto pela perda do membro amputado e a possibilidade de o indivíduo voltar a amar-se e a aceitar-se com o corpo agora mutilado, convivendo assim com suas limitações e aspectos da personalidade inaceitáveis, até então, pelo ego. Conclusão Os seres humanos, por natureza, são diferentes uns dos outros. No entanto, há uma limitada tolerância para estas diferenças; quando excessivamente diferentes, algo deve ser evitado. A deficiência física e sua marca corporal evidenciam a diferença entre o inteiro e o fragmentado, o perfeito e o imperfeito, e está carregada de estigmas e valores preconceituosos, o que coloca o deficiente físico às margens da sociedade. 




Há receios velados quanto às prováveis conseqüências da vinculação ou convívio com o deficiente. Para muitos, a aproximação com o deficiente físico traz a dor de um possível futuro que ninguém quer para si, traz ameaça à tranqüilidade, ao bem-estar, ao sentido de estética e à segurança pessoal e familiar. Neste contexto pode-se pensar quão difícil pode ser viver amputado em nosso meio social. Afinal, além da desvalorização social do deficiente físico, este também traz alguns valores acerca da deficiência que acabam denegrindo sua auto-imagem e dificultando a aceitação de sua deficiência física. Todo esse enredo cria um cenário em que a dor-fantasma pode parecer ao paciente amputado, mesmo que inconscientemente, uma saída viável para a vivência de integridade corporal. Entretanto, como já foi discutido, não parece ser uma saída produtiva ao paciente no processo de reabilitação. O fato de a dor-fantasma ser um fenômeno não puramente físico, social ou psíquico, mas a integração destes três fatores, nos remete à importância de um tratamento multidisciplinar, em que médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo, assistente social, professor de educação física e técnico protesista devem trabalhar em equipe visando o desenvolvimento e a participação ativa do paciente em seu tratamento. Na psicologia, além da psicoterapia breve, pela qual há a expressão e a elaboração de sentimentos depressivos, em que o paciente pode vir a lidar melhor com a sua perda física de forma produtiva ao processo de reabilitação, pensa-se na utilização de técnicas de relaxamento, para uma maior consciência corporal, como técnica auxiliar dentro do processo psicoterápico. Todo o processo de reintegração corporal no paciente amputado requer a elaboração do luto: o luto pela perda física e o luto por projetos para o futuro, pelo autoconceito, pela imagem corporal, que, portanto, ocorre paulatinamente. Sabe-se que a negação é um mecanismo de defesa usado em uma das fases de elaboração do luto, que pode ser saudável no processo de luto do paciente amputado. O que este trabalho procura mostrar é que esta negação, quando usada de forma maciça, revelando-se muitas vezes pela dorfantasma, pode ser prejudicial ao processo de reabilitação global do paciente amputado, na medida em que não condiz com uma visão real do corpo do paciente. Isto ocorre, pois a negação deve ser uma fase do processo de luto, e não uma solução para as frustrações do paciente. Mesmo parecendo um longo e árduo caminho, o processo de reintegração corporal do paciente amputado que pré-possibilite aceitar sua perda traz uma riqueza inestimável ao paciente: a possibilidade de voltar a se amar e a amar o seu corpo com a amputação e apesar dela.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Terapia com células-tronco em paraplégicos


Procedimento inédito consiste na aplicação de células retiradas da medula óssea do próprio paciente no local do trauma.



Após quatro anos de testes em animais domésticos, uma terapia inédita para devolver sensibilidade a vítimas de trauma raquimedular - lesão que causa comprometimento da função da medula espinhal - começa a ser testada em seres humanos na Bahia. O tratamento, desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA), em parceria com os Hospitais São Rafael e Espanhol e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), consiste na aplicação de células-tronco mesenquimais, retiradas da medula óssea da bacia dos próprios pacientes, diretamente na região onde ocorreu o trauma.

O procedimento foi testado inicialmente em dois gatos, no início de 2007, que não tinham sensibilidade nem controle da musculatura do abdome à cauda. Em um mês, os animais recuperaram a sensibilidade. Um deles voltou a ficar sobre as quatro patas quinze dias após o início do tratamento.
No total, dez animais domésticos, entre cães e gatos, foram submetidos ao procedimento. Todos haviam perdido completamente os movimentos dos membros inferiores após traumas. Monitorados por um ano, eles recuperaram a sensibilidade dos membros e o controle da bexiga. A maioria também voltou a se sustentar sobre as quatro patas e alguns ensaiaram passos.
O primeiro paciente humano a ser submetido à terapia é um policial militar de 45 anos, que perdeu a sensibilidade dos membros inferiores há cinco anos, após cair do telhado. Ele recebeu uma cultura de células, cultivada por um mês, no dia 14 de abril. Agora, passa por duas sessões diárias de Fisioterapia e está sob monitoramento.
Além dele, 19 voluntários serão submetidos ao teste nesta fase, que deve seguir até o fim do ano. Os pacientes são escolhidos com base em um perfil bastante específico, que inclui itens como trauma fechado (sem exposição da medula), ocorrido há mais de seis meses e que resultou em paraplegia completa.

Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 31 de março de 2011

Síndrome do Túnel do Carpo


A partir de hoje vou postar pequenas revisões sobre temas comuns na esfera da reabilitação. Vou iniciar pela síndrome do túnel do carpo, tema que pode ser facilmente encontrado na internet. Presunçosamente tentei compilar as principais informações sobre o tema. Espero que ajude


A Síndrome do Túnel do Carpo (STC), pode ser definida como o conjunto de sinais e sintomas associados à compressão localizada do nervo mediano no interior do túnel do carpo resultando em dor, alteração da sensibilidade, déficit motor e alterações eletrofisiológicas. Trata-se de uma neuropatia periférica, ou seja: um distúrbio causado por uma lesão do nervo. Esta patologia foi descrita pela primeira vez na literatura em 1854 pelo médico britânico Sir James Paget em seu trabalho "Lectures on Surgical Pathology".
O nervo mediano é um dos três nervos periféricos que suprem a mão. Trata-se de um nervo misto formado a partir da união dos fascículos lateral e medial do plexo braquial e possui fibras das raízes de C5, C6, C7, C8 e T1, sendo formado principalmente pelas raízes de C6 e C7. Na borda distal do túnel do carpo, o nervo mediano divide-se em seu ramo motor tenar, que se dirige aos músculos abdutor curto, oponente e porção superficial do flexor curto do polegar, enquanto seus ramos sensitivos proporcionam sensibilidade à face palmar dos dedos polegar, indicador, médio e metade radial do dedo anular
A STC é a neuropatia compressiva mais comum e mais bem estudada do ser humano. O diagnóstico é baseado em:
(1) História clínica => Sintomas de formigamento, dor e alterações de sensibilidade nas mãos, principalmente localizados no polegar, indicador e dedo médio (área de inervação do nervo mediano), os quais pode surgir inicialmente no período noturno (é comum o paciente relatar que é acordado pela dor). Também é importante investigar a atividade laboral do paciente pois algumas pessoas classificam a STC entre as DORTS. Estudos epidemiológicos indicam como fatores de risco para a STC: Idade acima dos 30 anos, sexo feminino, obesidade além de doenças sistêmicas como Diabetes Melito, Hipotireoidismo, Gravidez, Artrite Reumatóide e Insuficiência Renal
(2) Exame Físico => É usado para o diagnóstico e também para determinar a gravidade das alterações funcionais. O teste de Phalen é o mais utilizado, mas pode-se também percutir o nervo mediano em seu trajeto (sinal de Tinel). A presença de hipotrofia tenar é um achado preocupante pois indica grave prejuízo do fluxo axonal.
(3) Exames complementares => A eletromiografia de condução pode ser utilizados para confirmar a STC, no entanto o diagnóstico é geralmente baseado na história clínica e nos achados do exame físico.

A liberação cirúrgica do ligamento transverso do carpo é considerado o padrão ouro de tratamento. Entretanto, nas fases iniciais, o tratamento conservador baseado em abordagem medicamentosa associada a condutas físicas tais como o uso de órteses de repouso noturno e exercícios terapêuticos pode controlar os sintomas e evitar a necessidade de intervenção cirúrgica.
É preciso estar atento também à uma outra condição que pode mimetizar os sintomas da síndrome do túnel do carpo: A síndrome do pronador redondo, que assim como a STC é também uma neuropatia do nervo mediano só que comprimindo o nervo em seu trajeto na altura do cotovelo, entre os dois ramos do músculo pronador redondo.
Além disso, a síndome do duplo esmagamento (double crush syndrome) não deve ser esquecida. aparentemente uma lesão nervosas proximal pode deixar o tronco nervoso mais vulnerável à compressões em seu trajeto distal. Embora o mecanismo patofisiológico ainda não esteja completamente elucidado, parece haver relação com alterações do fuxo axonal. Talvez por isso alguns pacientes com STC se beneficiem de técnicas de mobilização neural aplicadas masi proximalmente, como a mobilização e tração cervical.
Como tratamento, existem evidências favoráveis quanto ao uso de Laser (infelizmente não consegui ler o artigo para poder dar mais detalhes a respeito), uso de técnicas de terapia manual tais como a moblização neural, técnicas quiropráticas de mobilização ou manipulação dos ossos do carpo, uso do ultrasom terapêutico, além do uso de órteses de repouso e correções ergonômicas. Eu gostaria também de salientar que embora não hajam relatos na literatura, o uso de inativação de pontos-gatilho miofasciais também é útil na amenização dos sintomas.
A consulta à Revisões Sistemáticas disponíveis no site PEDro apresenta resultados conflitantes, pois algumas sugerem que o tratamento conservador é ineficaz enquanto outras recomendam o uso de abordagens conservadoras. Este conflito pode ser justificado pela amostra de artigos pesquisada em cada uma. Nas Revisões que comparam cirurgia X tratamento conservador, aparentemente envolveu pacientes com sintomas mais avançados de STC (os quais como já comentado são em geral casos masi graves com indicação cirúrgica). Enquanto que àquelas que sugerem a eficácia de métodos conservadores, analisou estudos que investigaram pacientes nas fases mais iniciais da doença.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Exercícios de Equilíbrio e Propriocepção para o Tornozelo


A entorse de tornozelo é provavelmente a lesão mais comum em esportistas [1], sendo a entorse em inversão o tipo mais freqüente, ocorrendo em cerca de 85% das vezes. Vários estudos demonstram que se não for tratada adequadamente, a entorse de tornozelo pode levar à instabilidade crônica, que pode afetar o desempenho e predispor o atleta ao risco de se lesionar novamente [2-5].
Freeman propôs o termo Instabilidade Funcional (IF) para designar o “falseio” que alguns pacientes referem mesmo após terem completado o programa de fisioterapia [6]. Neste ponto, é preciso diferenciar a IF da instabilidade mecânica (IM), a qual possui uma etiologia anatômica clara. Esta distinção é importante porque Freeman escreveu que o FI estava presente em cerca de 40% das lesões do ligamento lateral do tornozelo, e que esta instabilidade seria causada por déficits dos impulsos nervosos provenientes do tornozelo [6]. Em outras palavras: um déficit envolvendo propriocepção. Vale apena relembrar que a propriocepção é a capacidade de reconhecer como o corpo está orientado no espaço e fazer os ajustes necessários para evitar lesões. Proprioceptores nos músculos que agem sobre o tornozelo fornecem feedback para atingir e manter o equilíbrio. Freeman também sugeriu que este déficit poderia ser permanente, resultando em prejuízo para a estabilização reflexa dos músculos da perna e tornozelo.
Quando estes conceitos são aplicados na prática clínica, torna-se evidente que cabe ao fisioterapeuta elaborar e implementar um programa de reabilitação para tratar estes déficits. Um programa de reabilitação pós entorse de tornozelo deve levar em conta os seguintes fatores: A compreensão da estrutura e função da articulação do tornozelo, seus receptores associados, e seu envolvimento com o sistema locomotor, e no caso de atletas, treinamento específico para atender às demandas do esporte de forma a permitir o retorno pleno a atividade [7] Programas de reabilitação para o tornozelo devem abordar a proteção das estruturas ligamentares, manutenção da amplitude de movimento, fortalecimento da musculatura de suporte e treino de equilíbrio e propriocepção.

PROTEÇÃO DAS ESTRUTURAS
Durante a fase inicial do tratamento, os objetivos são: diminuir o edema e proteger as estruturas danificadas. Diversos têm demonstrado os efeitos prejudiciais do edema sobre a ação muscular reflexa [8]. Ao identificar este problema, o fisioterapeuta deve iniciar o protocolo PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação). Exercícios suaves de amplitude de movimento podem ser iniciados ainda nesta fase.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO E FORÇA Seguindo aos exercícios de amplitude de movimento ativo-livres conforme tolerado, pode-se começar a pensar em atividades contra resistência, pois o ganho de força é também um componente importante para o reforço da propriocepção [9].

Inicialmente, as atividades de resistência podem ser executadas aplicando-se a resistência manualmente, pois assim o fisioterapeuta é capaz de adaptar a sua resistência para alcançar um nível máximo sem dor. Além disso, evita-se o risco de suscitar um movimento inesperado ou inadequado do tornozelo.

Pode-se progredir para exercícios em cadeia cinética fechada (CCF). Neste caso, é importante ter em mente que as atividades em CCF, em oposição a atividades em cadeia cinética aberta, simulam melhor as atividades funcionais do tornozelo. Além disso, equilíbrio e estabilidade também são trabalhados melhor em CCF por meio da co-contração muscular. Um exercício inicial em CCF seria o apoio unipodal independente (ou com ajuda externa mínima) sobre o membro afetado, enquanto movimenta o membro inferior não afetado alternadamente entre a abdução, flexão eextensão, de preferência sem tocar o solo entre um movimento e outro. Isto exige a adaptação a mudanças no centro de gravidade sobre uma base relativamente pequena de apoio.

Em seguida, pode-se progredir para a utilização da prancha de equilíbrio com os olhos abertos e depois fechados para minimizar o efeito do feedback visual. Lembrando que atividades de força também podem ser feitas em CCF.



REABILITAÇÃO ESPECÍFICA PARA O ESPORTENo caso de estar tratando atletas, o objetivo da fase final do programa de tratamento é a segurança de retorno ao esporte com o menor risco de nova lesão. Assim, o fisioterapeuta deve examinar de perto o desporto do atleta e tentativa de replicar as suas exigências, tanto quanto possível na reabilitação.


Quem quiser ter mais idéias sobre exercícios de propriocepção, tem uns videos muito bons no youtube. No video seguinte, dá pra ver alguns exercícios básicos para tornozelo. Quem já tem experiência em fisio desportiva provavelmente não vai achar nada de mais. Mas mesmo assim recomendo assistir. Não só pelo conteúdo mas principalmente pela trilha sonora. Aumenta o volume pra ouvir Back in Black do AC/DC ! ! ! ! ! 


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O video seguinte tem uma seleção de exercícios que eu não conhecia e que achei muito interessantes. O vídeo começa os som do bom e velho Ozzy Osbourne. Pena quea segunda música não segue o mesmo gênero musical... bom, não tenho do que reclamar. Podia ser pior. Podia ser música sertaneja.




REFERÊNCIAS

[1] Garrick JG, Requa RK. The epidemiology of foot and ankle injuries in sports. Clin Sports Med 1988;7(1):29-36.

[2] Diamond JE. Rehabilitation of ankle sprains. Clin Sports Med 1989;8:877-891.

[3] Bernier JN, Perrin DH, Rijke A. Effect of unilateral functional instability of the ankle on postural sway and inversion and eversion strength. J Athlet Train 1997;32(3):226-232.

[4] Lentall G, Baas B, Lopez D, et al. The contributions of proprioceptive deficits, muscle function and anatomic laxity to functional instability of the ankle. J Orthop Sports Phys Ther 1995;21(4):206-215.

[5] Rozzi SL, Lephart SM, Sterner R, Kuligowski L. Balance training for persons with functionally unstable ankles. J Orthop Sports Phys Ther 1999;29(8):478-486.

[6] Freeman MA. Instability of the foot after injuries to the lateral ligaments of the ankle. J Bone Joint Surg 1965;47B(4):669-677.

[7] Molnar ME. Rehabilitation of the ankle. Clinics in Sports Medicine, 1988;7(1):193-204.

[8] Tropp H, Ekstrand J, Gillquist J. Stabilometry in functional instability of the ankle and its value in predicting injury. Med Sci Sports Exerc 1984;16(1):64-66.

[9] Newton RA. Joint receptor contributions to reflexive and kinesthetic responses. Phys Ther 1982;62:22-29.

LINKs

http://scoretrain.com/balancetraining.aspx

terça-feira, 22 de março de 2011

A Síndrome da Pedrada

AVISO AOS NAVEGANTES
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais de fisioterapia. Se você está com dores na perna ou em qualquer outra parte do corpo, não tente fazer o diagnóstico sozinho(a).
Dito isso, segue a postagem...
 
Você já ouviu falar da síndrome da pedrada? Esta síndrome nada mais é do que o nome criativo dado ao estiramento muscular das fibras do músculo Gastronêmio - geralmente envolvendo a cabeça medial. Esta condição é também chamada de “Tennis Leg”. Esta denominação pouco usada no Brasil, mas útil para quem quiser procurar mais informações sobre o assunto em sites de língua inglesa..
 
E por que síndrome da pedrada ?
A contração brusca e intensa do músculo tríceps sural pode de gerar uma ruptura de suas fibras. Geralmente é causada durante a corrida (como ao atravessar a rua). Esta lesão caracteriza-se por dor súbita localizada na parte posterior da perna, de intensidade variável, seguida de hematoma. Pode ocorrer também um estalido audível. Devido a estas características, alguns pacientes relatam que a sensação no momento da lesão é como se tivessem sido atingidos por uma pedra ou uma bala perdida (por alguma razzão esta última associação é muito comum entre os cariocas). No momento da lesão a perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão.
 
O grau de ruptura muscular pode variar de leve, apresentando sintomas de pequena intensidade, a moderado, fazendo o indivíduo mancar. Em casos graves, a ruptura muscular pode mesmo incapacitar a pessoa de andar. Às vezes, especialmente entre idosos e pessoas na meia-idade, os sintomas podem ser confundidos com um episódio de Trombose Venosa Profunda (TVP).
 
Quais são os sintomas?

No momento da Lesão:
Ocorre uma dor súbita e aguda, seguida por uma dor em queimação na panturrilha afetada. A pessoa geralmente descreve um "estalo" na panturrilha e, por vezes, acredita que ele ou ela tenha sido atingido por trás, como se por uma pedra ou bala perdida (relato mais comum entre os cariocas). A perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão. Um outro sintoma pouco mencionado é que em casos moderados/graves, a batata da perna fica “murcha” (hipotônica), acredito que isso aconteça devido a uma inibição muscular pela dor.
 
Após a lesão aguda
A dor pode variar de leve a intensa, dependendo da gravidade do estiramento muscular. O paciente pode apresentar incapacidade de colocar o calcanhar no chão, geralmente caminhando na ponta dos dedos do pé para reduzir a dor. A dor pode estender-se por todo o comprimento do músculo lesionado e piorar durante a contração ativa ou alongamento passivo. Equimoses e hematomas podem surgir no tornozelo. A recuperação depende do grau da lesão, em geral variando entre alguns dias até cerca de seis semanas.

Em geral esta lesão não deixa sequelas. Porém nos casos mais graves, se não for tratada corretamente, a remodelação cicatricial pode ocorrer de forma desorganizada, o que pode tornar o músculo fraco e propenso a novas lesões.
… e agora o que todo mundo quer saber:
 
Fisioterapia
O fisioterapeuta é o profissional mais capacitado para orientar e supervisionar os exercícios e atividades mais adequadas para a recuperação desta lesão. Portanto, se você está lendo esta postagem porque se lesionou e decidiu consultar o Dr. Google antes de um médico ou fisioterapeuta, recomendo que você pense bem no que está fazendo... tem certeza que acertou o diagnóstico ? Pense bem, pois um tratamento mal feito pode comprometer seriamente sua perna. Você já assistiu House alguma vez?
Dada esta nova advertência, podemos prosseguir.
 
O tratamento imediato
  • RICE (repouso, gelo, compressão e elevação) para as primeiras 48 horas. Elevação da perna evita o inchaço. Além disso, o repouso neste período também é importante.
  • Uma meia elástica pode ser prescrita.
  • Para casos mais graves, deve-se usar muletas, com carga zero no membro afetado.
  • Após a consulta com o médico, a prescrição de medicamentos para o controle da dor e inflamação.
 
Fisioterapia
Inclui retorno as atividades de membro inferior conforme tolerância.
Com a redução da dor, pode-se utilizar alguns alongamentos e atividades concêntricas e excêntricas. Eu acho interessante desenvolver atividades com descarga de peso parcial ou total (conforme tolerância) reproduzindo as fases da marcha para melhorar o controle neuromuscular. Aliás, uma boa pedida seria antes mesmo das atividades com carga utilizar algumas irradiações de PNF para “acordar a musculatura”.
Monitore o retorno das atividades de caminhada e de dirigir carros. Não se esqueça dos alongamentos e atividades de propriocepção. Cuidado para não ultrapassar o limiar de dor, pois isto pode atrasar o processo de recuperação.
 
É isso aí pessoal, espero que as dicas sejam úteis

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Torção de Joelho - Uma ligação frágil


Basta um movimento em falso para que ela ocorra. A torção do joelho pode ser mais freqüente do que se imagina e causar problemas. E você deve saber o que fazer.

O que é? 
Mesmo não sendo a lesão mais freqüente, a torção ou entorse do joelho pode esconder problemas, muitas vezes mais complicados. Em geral, ela ocorre porque os ligamentos são alongados e acabam se rompendo. Assim, quando o corpo gira sobre o pé apoiado ou se alguma coisa ou alguém atinge o joelho pelo lado de fora, normalmente os mais afetados nessas circunstâncias.

O que sentimos? 
Dor e inchaço são os sintomas mais comuns, seja na parte de dentro ou em todo o joelho, que pode ficar roxo. A palpação dessa região é muito dolorosa.

O que devemos fazer? 
Caso sofra uma torção no joelho, você deve parar a atividade e utilizar muletas, evitando apoiar o pé no chão. Compressas de gelo por 30 minutos a cada hora no primeiro dia - e a cada três horas nos dias subseqüentes - também são recomendadas e, para evitar queimadura, você deve enrolar o gelo em um pano úmido. É bom manter a perna elevada e consultar um especialista em caso de dúvida sobre a gravidade do problema, devido ao risco de lesão dos ligamentos que estão no meio da articulação (ligamentos cruzados) e não apenas dos que estão em volta da junta.

Como é o tratamento? 
A avaliação médica determinará a necessidade de um tratamento mais longo com uso de muletas ou - raramente - a imobilização por curto período de tempo. A cirurgia é indicada apenas em casos muito graves ou quando existe lesão dos ligamentos cruzados. Nos casos leves, apenas a limitação da atividade pode ser suficiente e o uso de medicamentos fica a critério do seu médico. Lembre-se de que a recuperação da lesão deve atingir três objetivos: recuperar o movimento, recuperar a força e recuperar o equilíbrio.

Recuperação dos movimentos: primeiro movimente a perna para cima e para baixo por dez vezes e repita essa série por 3 vezes após um intervalo, no limite da dor. Isso deve ser feito de manhã, de tarde e de noite, durante cinco a dez dias, até que você consiga realizar praticamente todo o movimento sem incômodo. Alongue os músculos de trás da coxa e da "barriga da perna", inclinando o corpo para frente e também contra uma parede, como se quisesse empurra-la, durante oito a dez segundos, por três vezes em cada perna, três vezes ao dia.

Recuperação da força: quando quase todo movimento estiver recuperado, comece a fazer exercícios de força com o peso da própria perna, levantando-a e abaixando-a lentamente por dez vezes, durante dez segundos, para cima e para trás, de barriga para baixo. Repita por três vezes, em três períodos do dia. Conforme for ficando mais fácil, coloque pequenos pesos (250g) e faça esses exercícios durante duas até seis semanas, dependendo da gravidade da lesão.

Recuperação do equilíbrio: na medida em que você ganha força com esses exercícios, fique em uma perna só como se estivesse equilibrando-se em uma "corda bamba". Conforme for ficando mais fácil, faça pequenos saltos para cima e depois para os lados. Após esses exercícios, aplique gelo conforme já explicado.

Quando voltar às atividades normais? 
Só volte para as atividades físicas quando seu médico autorizar ou, nas lesões mais leves, quando você tiver recuperado todos os movimentos do joelho. Tenha a certeza que a força e o equilíbrio voltaram ao normal e que o joelho não está inchado e nem dói mais após os exercícios. 

DICAS 
A joelheira ou o enfaixamento para proteger a articulação não são eficazes, embora passem uma sensação de segurança.

Caso esteja usando algum enfaixamento, não deixe o joelho muito apertado para não atrapalhar a circulação.

É errado achar que isso substitui um bom fortalecimento muscular. Por isso, antes de começar a fazer atividade, tenha certeza de que os objetivos da recuperação já foram alcançados.

Comece com movimentos simples do seu esporte, como uma criança em início de aprendizado. 





fonte:http://www.sbot.org.br/

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Membro Fantasma

Uma técnica chamada "terapia do espelho" pode ajudar a reduzir a dor
fantasma. Esta técnica foi utilizada nos soldados que tiveram membros
amputados em guerra, revela um novo estudo. A dor fantasma é um
problema comum após a amputação, mesmo quando o paciente não tem mais
o membro, que fora amputado.

"Os caminhos da dor na medula espinhal e o cérebro têm a 'lembrança' a
lesão dolorosa. Devido a esta memória, o braço ou a perna em falta
continua a dor, às vezes muito fortes e muito tempo depois que o
membro foi amputado", autor do estudo, o Dr. Steven R . Hanling, do
Centro Médico Naval de San Diego, disse em uma nota de imprensa.

Ele e seus colegas descobriram que a terapia do espelho reduziu
significativamente a dor fantasma em cada quatro soldados que haviam
sofrido graves ferimentos nas pernas que levou à amputação. Isso
possibilitou que lhes permitam participar plenamente na sua
pós-operatório programas de fisioterapia.

O estudo aparece na edição de fevereiro da revista Anesthesia & Analgesia.
"Neste tipo de terapia, os pacientes se sentam com um espelho na
vertical entre as pernas e os braços para que eles sejam refletidos
por ele. O reflexo no espelho faz com que pareça o braço ou a perna
ferida é saudável e normal", explicou o editor do jornal em-chefe Dr.
Steven L. Shafer, da Universidade Columbia, em Nova York.

"Os pacientes, em seguida, observam e controlam o braço ou a perna
ferida no espelho - mas eles são realmente levados a observar e
controlar o reflexo do braço ou perna. O cérebro e a medula espinhal
são levados a acreditar que todos os braços e as pernas estão intactas
e sem dor , visualmente", disse Shafer.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entendendo sobre o tal Membro fantasma...úúúúú!!!!

Quão forte precisa ser uma ilusão para afetar nossa mente? Atualmente vivemos a febre do cinema 3D e pagamos caro para termos momentos de ilusão. Mas será que são necessários recursos tão sofisticados para termos uma ilusão que afete nossa mente? E estas ilusões servem apenas para nosso lazer?

Não. Você alguma vez já ouviu falar de membro-fantasma?

É um fenômeno bastante peculiar, que é relatado desde o século XVI. Trata-se da percepção continuada que algumas pessoas têm de seus membros que foram amputados. Ou seja, estes membros não estão mais ligados ao corpo, mas mesmo assim parecem que ainda estão. Por exemplo, alguém pode perder uma perna e continuar a senti-la. Às vezes, além de ter a sensação da existência da perna, a pessoa ainda sente dores nesta perna que não existe mais!


  Figura 1. Membro fantasma.  A mão foi amputada do corpo, mas mesmo assim ainda ocorre a percepção sensorial de sua existência. Fonte: Phantom Mirror



Isto ocorre porque corpo é constantemente bombardeado por estimulações sensoriais que nos informam sobre as condições do ambiente externo e interno. Cada órgão dos nossos sentidos é preparado para receber, interpretar e transformar estas estimulações em impulsos nervosos. Estes chegarão até o cérebro e lá serão processados. A partir disto teremos consciência do que se passa no ambiente e poderemos agir de forma adequada.


Estas informações sensoriais do corpo são enviadas e processadas num mapa sensorial no nosso cérebro. Este é representado por um homúnculo sensorial. Quanto mais importante (ou utilizada) é uma parte do corpo, maior é sua representação no cérebro (ver Figura 2).


Figura 2. Homúnculo sensorial. Note a grande diferença na representação do polegar em relação ao tronco. Isto ocorre porque o polegar necessita de maior sensibilidade que o tronco para desenvolver bem suas tarefas. Fonte: Wikipedia


Para entender do que falamos, olhe para sua mão. Leia isto e tente fazer depois: feche os olhos e tente imaginar algum objeto muito pesado em cima dela. Este objeto faz pressão e o peso dele aumenta aos poucos. Em determinado momento você sentirá dor. Este processo se auto-alimenta, com a sensação de maior peso na sua mão causando o aumento da sensação de dor. Para acabar com isto bastará você tirar o peso de cima da sua mão.

Agora imagine que sua mão não está mais presente ao seu corpo. Como você controlaria isto?

Algumas pessoas perderam a mão em situações como esta, ou, por exemplo, com a mão fechada. A dor fantasma pode ocorrer por falha nesse sistema de retroalimentação. Imagine que, numa situação como a do exemplo acima, uma pessoa perca a mão. O cérebro enviaria sinais para a área amputada e não receberia feedback. Ou seja, a informação de  quão forte é a sensação de peso na mão não chega ao cérebro. Dessa maneira, nosso sistema nervoso segue processando que há um objeto pesado sobre a mão e ao não receber informação se esse peso foi ou não tirado de lá, a dor continua. Enfim, é uma dor construída pela sua mente para interpretar esta situação.

Interessante nestes casos é que se antes da amputação o membro já estava paralisado, a pessoa sente-o paralisado após remoção. Se o membro se movimentava, sente-o movimentar. E se este membro estava doloroso por algum motivo, após a amputação ele sentirá ainda mais dor quando ele tiver a sensação fantasma deste membro se movendo.

Sentir dor é algo desagradável. Imagine-se sentindo dor constantemente em alguma parte de seu corpo. Agora pense que esta parte não existe mais, e mesmo assim ainda dói! Este problema foi encarado de diversas maneiras. Um cientista chamado Vilayanur S. Ramachandran tentou resolver este problema com um equipamento que cria um fenômeno ilusório bastante interessante. Trata-se de uma caixa de espelho (Mirror Box) em que há feedback visual para o movimento do membro ausente (ver figura abaixo), enganando-se assim o cérebro.


Figura 3. A caixa de espelho utilizada. Ela é formada por dois compartimentos separados por um espelho vertical. O individuo coloca sua mão real em um deles e se posiciona como se estivesse com as duas mãos na caixa. O espelho cria a ilusão que a mão fantasma ressurge, ou ressuscita (nas palavras de Ramachandran). Com isso a pessoa pode ilusoriamente mover suas duas mãos. Fontes: esquerda - Artigo Ramachandram (direto para pdf) e direita: Mirror Box 


Ramachandran testou este equipamento em 10 pessoas que tiveram suas mãos amputadas. Cada paciente observou o reflexo de sua mão intacta no espelho e o equipamento causava a ilusão que o paciente tinha novamente as duas mãos. Foi-lhes pedido que realizassem movimentos com “as mãos” durante 15 minutos diários, por 3 semanas. 6 pacientes ao olharem o reflexo no espelho conseguiram sentir seu membro fantasma se movendo. Mas isto não ocorria com os olhos fechados, atestando que o efeito era devido ao equipamento. 4 pacientes ao abrirem suas mãos fantasmas sentiram alivio da dor (pode ter ocorrido pelos mecanismos explicados no exemplo do peso em cima da mão). Ainda, ao serem tocados na mão real, 3 pacientes sentiram o toque também na mão fantasma! Uma possível explicação é uma ativação em ambos os hemisférios, que é muito fraca nos não amputados, mas nos indivíduos com membros amputados ela se torna forte devido a ausência de estimulação constante.

Além do que foi relatado acima, Ramachandran também fez outros testes. Ele pedia que os pacientes fechassem seus olhos e dissessem onde ele os tocava com um cotonete. Quando tocado no lado do corpo sem o membro amputado, o paciente sentia o toque apenas a região tocada pelo cotonete. Porém, ao estimular a face do lado do membro amputado, alguns pacientes relataram que também seus membros fantasmas estavam sendo tocados.


Figura 4. Esquema da relação topográfica entre toque no braço/ombro e sua relação com a face. Ao ser tocado na face o participante relatava sentir sua mão fantasma. Esta migração de neurônios  foi confirmada através de MEG – magnetoencefalografia (uma de várias técnicas de imageamento cerebral). Fonte Phantom face 


Por que isso acontece?

Quando uma parte do corpo é perdida, ocorre uma invasão neuronal de áreas vizinhas no homúnculo sensorial (Figura 2). Como a região responsável pela face está bem próxima da região da mão, há uma reorganização (ou “remapeamento”) sensorial, com os neurônios que antes representavam a mão agora são recrutados pela face. Esta hipótese foi confirmada através de ressonância magnética. Foi observado que quando a face do lado amputado era estimulada ocorria uma ativação da área facial e também da área correspondente à mão. O mesmo não acontecia do outro lado do corpo.


Figura 5. Figura esquemática da migração neuronal. Na figura A nota-se que "a mão" está presente. Após a amputação, a área da face avança sobre a região responsável pela mão, fazendo um “remapeamento”. Fonte: Homunculus


Em suma, a pesquisa mostrou-se válida para tratar alguns pacientes e suas dores. Também lançou algumas bases para se entender de forma mais precisa este fenômeno intrigante. Ainda, mostrou que há plasticidade neuronal mesmo no cérebro adulto, hoje pode parecer banal falar isto, mas o artigo foi publicado originalmente em 1996.

A simplicidade da técnica mostra que também é possível nos iludir com coisas simples, e melhor, isto pode nos trazer benefícios.

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Para entender mais do assunto:

Ramachandran, V. S. & Rogers-Ramachandran, D. Synaesthesia in Phantom Limbs Induced with Mirrors. Proceedings: Biological Sciences, 263, No. 1369, pp 377-386, 1996. (Artigo em inglês, trata-se da pesquisa mencionada no texto).

Ramachandran, V. S. & Hirstein, W. The perception of phantom limbs The D. O. Hebb lecture. Brain, 121, pp 1603-1630, 1998. (Artigo em ingles, também mencionado no texto).

Demidoff, A. O.; Pachecoa, F. G.; Sholl-Franco, A. Membro-fantasma: o que os olhos não vêem, o cérebro sente. Ciências & Cognição, 12, pp 234-239, 2007. (Texto em português, os autores fazem um apanhado geral do assunto. O texto é de fácil acesso).

No site youtube é possível encontrar diversos vídeos com a demonstração da técnica com o Mirror Box. Abaixo temos um exemplo para a perna fantasma.
 

flw galera...leia na próxima postagem o que dizem os fisioterapeutas sobre o assunto.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Avaliação comparativa da altura patelar pós-artroplastias totais do joelho com e sem preservação do ligamento cruzado posterior

joelho
 
Objetivo: Avaliar possíveis alterações na altura da patela, pós-artroplastias totais do joelho com e sem preservação do ligamento cruzado posterior (LCP). Método: Foram analisadas radiografias pré e pósoperatórias, de 120 pacientes submetidos a artroplastias totais do joelho, realizadas no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, no período compreendido entre janeiro de 2003 e janeiro de 2005, com implantes do tipo Johnson de plataforma rotatória. A amostra foi dividida em dois grupos, correspondendo o grupo I a exames radiográficos pré e pós-artroplastias totais do joelho com preservação do LCP (n = 60) e o grupo II, a exames radiográficos pré e pós-artroplastias sem preservação do LCP (n = 60). Para a mensuração dos valores pré e pós-operatórios foi utilizado o método de Blackburne-Peel, cujo valor normal é igual a 0,8 (± 0,2), variando, portanto, entre 0,6 e 1. Resultados: O índice patelar médio pré-operatório do grupo I foi igual a 0,874 e, no grupo II, a média foi igual a 0,857. O índice médio de altura patelar pósoperatório do grupo I foi igual a 0,849, variando entre 0,54 e 1,03. No grupo II, o menor índice foi igual a 0,48, o maior igual a 0,94, sendo o índice médio igual a 0,79. A comparação dos valores pósoperatórios nos dois grupos apresentou diferença estatisticamente significativa (p < 0,05). Conclusões: Foi observada tendência à diminuição da altura patelar em ambos os grupos estudados, sendo esta mais evidente no grupo em que houve sacrifício do LCP.

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Exercícios antes da artroplastia podem ser benéficos


Em um estudo recente publicado no periódico “Journal of Strength and Conditioning Research”, pesquisadores da Universidade de Louisville (USA) Investigaram os efeitos de um programa de exercícios conduzido antes da cirurgia de Artroplastia de Joelho (pré-reabilitação) e concluíram que é possível ganhar força e diminuir a dor mesmo em pacientes com artrose avançada.
Em matéria disponível no site Science Daily, a pesquisadora Ann UofL de Swank, (Ph.D. em Fisiologia do Exercício) comenta alguns pontos da pesquisa.

"Criamos este programa para ser facilmente transferido para um ambiente de casa", disse Swank. "É muito fácil para os pacientes que se preparam para a cirurgia de substituição do joelho participarem deste programa e desta forma, conseguir melhorar seu desempenho em atividades funcionais tais como levantar de uma cadeira ou subir escadas." No entanto, Swank ressalta que o programa de pré-reabilitação não foi capaz de melhorar significativamente a velocidade de andar ou descer. O estudo incluiu 71 pacientes agendados para cirurgia de joelho devido artrose grave que não podia ser controlada com medicamentos para a dor.
A artrose do joelho é uma condição muito comum em idosos, causando dor e diminuição gradual da capacidade de realizar tarefas cotidianas. Quando a dor se torna tão grave que os medicamentos já não conseguem mais garantir alivio, a cirurgia de substituição do joelho é a única opção. É importante ressaltar que até chegar neste ponto, a redução na força do Membro Inferior pode ter evoluído ao longo de vários anos, não só diminuindo a capacidade funcional, mas também aumentando o risco de quedas.

Os pacientes no grupo "pré-reabilitação" se exercitaram na clínica e em casa,três vezes por semana, por 4-8 semanas antes da cirurgia de substituição do joelho. Os pacientes no grupo de comparação receberam apenas os cuidados pré-operatórios normais, com instruções para continuar suas atividades habituais. Os dois grupos foram comparados em relação a força de joelho e desempenho em testes funcionais.

Quando avaliados uma semana antes da cirurgia, os pacientes que passaram pelo programa de pré-reabilitação mostraram melhorias em diversas áreas. Em particular, eles tiveram um aumento de 10% na força de extensão da perna. Além disso, pacientes no grupo pré-reabilitação tinham menos dor ao realizar os testes funcionais. Para pacientes recebendo tratamento padrão, o desempenho em alguns testes funcionais piorou nas semanas antes da cirurgia - possivelmente refletindo os escores aumentados de dor.

O fortalecimento de quadríceps antes da artroplastia de joelho pode ser um fator particularmente importante - o exercício pode reduzir o desequilíbrio de força, contribuindo para a melhora funcional. Os pesquisadores fazem notar que, mesmo com o exercício, a perna operada mantinha-se significativamente mais fraca do que a outra.

Estudos anteriores já haviam avaliado os programas de exercícios para melhorar a força da perna e capacidade funcional antes da cirurgia de substituição do joelho, mas com sucesso limitado.
Embora o estudo não compare a recuperação no pós-operatório, o aumento da força nas pernas e no desempenho de tarefas funcionais antes da cirurgia de substituição do joelho pode resultar em uma melhor recuperação pós-operatória.
O pesquisador Robert Topp, co-autor do estudo, observou que para além dos aspectos clínicos, há o potencial de redução de custos também.
"O próximo passo da pesquisa é determinar se este programa de exercícios pode se reverter em redução de custos. Por exemplo, a redução do número de dias de permanência do paciente no hospital ou redução no número de sessões de fisioterapia."

Na minha opinião, o grande mérito desta pesquisa é demonstrar que vale a pena investir em fortalecimento muscular mesmo em pacientes que estão às vésperas de fazer cirurgia. Infelizmente a pesquisa não acompanhou os pacientes no pós-operatório para confirmar suas suspeitas. Gostaria muito de saber o que aconteceu com o grupo controle e com o grupo intervenção no follow up... mas fica aí a sugestão para alguém que decida fazer o mestrado ou o doutorado...