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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Preparação Física no Jiu-Jitsu ou parte técnica: qual é o mais importante para o alto rendimento?


Muitas vezes escuto diversos atletas de elite afirmar que, para eles, o elevado preparo físico é o fator principal que os distingue de outros atletas de nível inferior.

Em artigo anterior, havia abordado superficialmente este assunto. No entanto, resolvi retomar o tema associando a estudos realizados com outra modalidade.

Claro que o preparo físico garante o lastro necessário para melhor desempenho técnico-tático. Contudo, será que nas lutas, no alto nível, ou seja, atletas de elite (com títulos relevantes em competições oficiais) ou “superelite” (colocados somente em primeiro lugar em competições relevantes e oficiais), a preparação física é mais importante (ou relevante) que a preparação técnico-tática?

Bom, pelo menos no caso específico do Judô e Jiu-Jítsu, estudos prévios mostram que a técnica ainda é o diferencial entre atletas de alto nível.

No Judô, por exemplo, foi observado por intermédio de avaliação física, que não havia entre os titulares e reservas da seleção olímpica brasileira (atletas de elite e “superelite”) diferenças físicas significativas entre eles, sugerindo que o principal aspecto que os distinguia era técnico-tático e/ou psicológico.

Além disso, nessa modalidade (ainda no alto nível), comparando atletas juniores faixa marrom com seniores faixa preta, observou-se que, enquanto os lutadores graduados com a faixa marrom projetavam, em média, para 2 direções diferentes, os seniores faixa preta projetavam para 3.

No Jiu-Jitsu, um grupo de pesquisadores conduziu estudo com 23 atletas, no qual realizaram avaliação física para verificar se os aspectos relacionados ao preparo físico (força, resistência muscular, etc.) poderiam ser correlacionados com desempenho vitorioso nesse esporte. Por fim, concluíram que maior nível técnico poderia ser correlacionado ao melhor desempenho e não, especificamente, às características físicas.

Concluo esse artigo, baseado nas evidências, recomendando que, na dúvida, treinem mais e corrijam aspectos técnico-táticos do treinamento. Apesar da relevância primordial nas lutas, a preparação física deve ser considerada complementar e não a atividade principal do planejamento do atleta de alto rendimento.

Músculos mais solicitados no Jiu-Jitsu

Rickson Gracie.
Um estudo foi realizado para descobrir, baseando-se na percepção subjetiva de esforço de atletas de Jiu-Jitsu, quais seriam os músculos mais solicitados nessa modalidade.
Os resultados podem facilitar o trabalho de preparo físico e de recuperação (massagem, etc.), pois os profissionais podem realizar a prescrição com base nesses achados.
Seguem os resultados:
1) Antebraços - 24%;
2) Deltóides (ombros) - 14%;
3) Bíceps - 10%;
4) Quadríceps - 10%;
6) Região Lombar - 10%;
7) Região abdominal - 5%;
8) Tríceps - 5%.
P.S: Também foi verificada a solicitação do grande dorsal ("costas"); entretanto não obtivemos os dados.

Treinamento aeróbio específico Jiu-Jitsu

Há muita discussão referente à necessidade de serem utilizados exercícios e métodos para desenvolver aptidão aeróbia* de lutadores. Há poucos anos, diversos autores ainda classificavam as lutas como modalidades predominantemente anaeróbias** e, por isso, muito do treinamento aeróbio era negligenciado e, de fato, muitos técnicos e preparadores orientavam os atletas para não priorizar esse trabalho. Em investigações mais recentes, observou-se que a contribuição aeróbia para o exercício é acionada antes do que se pensava, repercutindo que, nas lutas, a predominância seja aeróbia e não anaeróbia (apesar de a aptidão anaeróbia ser determinante para o desempenho). Logo, para encurtar discussões mais longas referentes a isso, ressaltamos que o treinamento aeróbio é essencial para lutadores. A pergunta certa não é se deve fazer, mas quando e como realizá-lo. Exercícios não específicos como corridas contínuas, ciclismo, natação, sprints (ou “tiros”) de corrida são bons referenciais para que o atleta atinja boa base de aptidão aeróbia. No entanto, existe pouca transferência desses exercícios para a realidade de um combate, incutindo que meios e métodos alternativos de treinamento sejam utilizados para que se atinja com plenitude o objetivo, ou seja, desenvolver aptidão aeróbia em posições ou golpes específicos do Jiu-Jítsu.

*exercícios de característica aeróbia: podem ser classificados nesse contexto os exercícios realizados com duração superior a 45 segundos;

**exercícios de característica anaeróbia: podem ser classificados nesse contexto os exercícios de curta duração (até 10 segundos) e de duração intermediária (entre 15 e 45 segundos).

Para simplificar, segue exemplo prático de treinamento aeróbio com exercícios específicos para atletas de Jiu-Jítsu:

Obs: Para atingir a zona de trabalho recomendada, sugerimos que seja monitorada a freqüência cardíaca do lutador, utilizando-se um cardiofrequêncímetro (Ex: marca Polar). Aconselha-se que o treinamento aeróbio seja realizado de uma a no máximo três sessões semanais e nos dias em que não houver trabalho de preparo físico com ênfase em força e potência muscular e/ou treino técnico de luta, em intensidades elevadas. O trabalho com exercícios específicos deve ser realizado de 100-130% do VO2 máx. (potência aeróbia máxima), ou seja, acima de 180-190 bpm (batimentos por minuto).

É recomendado que seja realizada avaliação física e médica antes de iniciar esse trabalho, pois os exercícios realizados nessa zona implicam sobrecarga ao aparelho cardio-respiratório, que, em geral, somente atletas de elite suportam. O atleta deve realizar 4 vezes a sequência dos exercícios-exemplo propostos adiante, sem intervalo para descanso após cada sequência. Atenção: após realizar os cinco exercícios específicos se considera que foi realizada uma sequência completa!

1.º) Após 5-10 minutos de aquecimento, o atleta realiza durante 45 segundos com o máximo de velocidade e com o companheiro de treino se deslocando bastante, exercício de entrada de queda ou Uchi-Komi (Figuras 1 e 2) e, logo após, recuperação ativa: corrida por 45 segundos com frequência de 150-175 bpm (batimentos por minuto);
Uchi-Komi
2.º) Após a corrida da etapa anterior, sem descanso, o atleta realiza durante 45 segundos com o máximo de velocidade, o exercício de entrada de queda denominado de Tackle (Figura 3), no qual suspende o companheiro de treino, porém, não o projeta ao solo. Mais uma vez, o companheiro de treino deve se deslocar bastante. Logo após o exercício específico, realiza recuperação ativa: corrida por 45 segundos com frequência de 150-175 bpm (batimentos por minuto);
Tackle
3.º) Após a corrida da etapa anterior, sem descanso, o atleta realiza durante 45 segundos o exercício de raspagem de gancho (Figuras 4 e 5) com o máximo de velocidade. Logo após, realiza recuperação ativa: corrida com frequência de 150-175 bpm (batimentos por minuto);
Raspagem de Gancho
4.º) Após a corrida da etapa anterior, sem descanso, o atleta realiza durante 45 segundos o exercício de subida para abrir a guarda do adversário (Figuras 6 e 7) com o máximo de velocidade. Logo após, realiza recuperação ativa: corrida com frequência de 150-175 bpm (batimentos por minuto);
Subida p/abrir guarda fechada
5.º) Após a corrida da etapa anterior, sem descanso, o atleta realiza durante 45 segundos o exercício de supinar o adversário (Figuras 8 e 9) com o máximo de velocidade. Logo após, realiza recuperação ativa: corrida com frequência de 150-175 bpm (batimentos por minuto).
Supinar p/saída do cem quilos

Características funcionais de atletas de Jiu-Jítsu


O colega Raphael Benassi publicou um artigo recente sobre algumas evidências observadas por meio de suas avaliações realizadas com atletas de Jiu-Jítsu. Agradecemos pela gentileza de enviar o artigo, no qual divulgamos neste Blog as partes principais para os interessados.

Título: Características morfo-funcionais de crianças e adolescentes, atletas de jiu-jitsu

Autores: Prof. Raphael Benassi & Prof. Dr. Alexandre Herculano Borges de Araújo

Fonte: http://www.efdeportes.com



Introdução


O Jiu-Jitsu é uma luta de origem japonesa cujo objetivo é, após projetar o adversário ao solo, dominá-lo utilizando técnicas de imobilização, posições de estrangulamentos ou chaves articulares. As técnicas de estrangulamento e de chave articular, quando efetivamente aplicadas, tendem a fazer com que o adversário desista do combate, sinalizando com a batida no solo. Nessa modalidade todos os atletas são subdivididos de acordo com sua graduação técnica (faixas) e sua massa corporal. Um dos princípios do Jiu-Jitsu está na utilização de movimentos que constituem alavancas mecânicas, possibilitado que um indivíduo que possua menor nível de força muscular possa derrotar um adversário com níveis mais altos dessa qualidade física, porém que detenha menores níveis de habilidade nas execuções das técnicas (FRANCHINI, E.; TAKITO, M. Y.; PEREIRA, J. N. C, 2003).

Apesar do grande sucesso desta arte marcial, poucos estudos foram publicados sobre essa modalidade esportiva (DUBAS et al., 2002; GULAK et al., 2003; MOREIRA et al., 2001; MOREIRA et al., 2003; SILVA et al., 2003). Tendo em vista tal escassez científica, muitos questionamentos são apresentados, entre eles qual o perfil morfo-funcional de atletas em idade escolar, praticantes dessa modalidade?

Sendo assim, o objetivo geral deste estudo foi o de identificar características morfológicas e de aptidão física de praticantes de Jiu-Jitsu. Especificamente o estudo investigou as medidas antropométricas básicas, como estatura, massa, composição corporal e maturação sexual e os padrões de aptidão cardiorrespiratória e de aptidão neuromuscular, em praticantes de Jiu-Jitsu com idade entre oito e dezoito anos.

Materiais e métodos

Este estudo foi realizado com o delineamento descritivo, que objetiva descrever uma determinada situação em uma determinada circunstância (THOMAS & NELSON, 2002).

A amostra foi composta por 52, com idades compreendendo entre 10 e 17 anos, estudantes saudáveis, do sexo masculino, pertencentes à rede pública municipal, estadual e privada de ensino do município do Rio de Janeiro, moradores do bairro de Campo Grande, regularmente inscritos e ativos no programa de iniciação esportiva da modalidade Jiu-Jitsu, desenvolvido em um centro esportivo municipal localizado no referido bairro.

Para avaliação da massa corporal e estatura da amostra, foram utilizados uma balança clínica eletrônica, com precisão de 0,1Kg (Filizola®, Brasil) e um estadiômetro portátil, modelo personal portátil (Sanny®, Brasil) com capacidade máxima de 204 centímetros e variação de 0,5cm.

Para mensuração do nível de aptidão cardiorrespiratória (Vo2máx), foi utilizando um cardiofreqüencímetro modelo M52 (Polar Oi®, Finlândia), utilizando o recurso Polar Ownindex® que realiza este tipo de teste sem a necessidade de esforços físicos.

Para a avaliação da Força de Preensão Manual foi utilizado um dinamômetro hidráulico manual, marca JAMAR® (Asimow Engineering®, EUA)

Para avaliação da potência de membros inferiores foi utilizada uma trena com precisão de 0,1cm (3M®, Brasil), em uma pista construída no solo com fita adesiva (3M®, Brasil), compreendendo uma área livre de três metros de comprimento.

Como critérios de inclusão no estudo ficou determinado que os participantes não pudessem estar praticando nenhuma outra atividade física sistemática além do Jiu-Jitsu, que deveriam estar em estado ativo na referida atividade por um período mínimo de vinte e quatro semanas, participando normalmente do programa de prática esportiva no referido complexo esportivo, independente de sua graduação técnica.

Análise e discussão dos resultados

Nas análises indiretas do consumo máximo de oxigênio (Vo2máx), os sujeitos apresentaram score médio de 39,5±3,7 ml/kg/min-1. Em relação ao teste de potência de membros inferiores e força de preensão manual, os scores alcançados foram de 1,9±0,4m e 35,4±14,0 Kg/f, respectivamente.

O IMC apresenta em crianças e adolescentes significativas variações relacionadas à faixa etária e maturidade sexual. Esta variável tem sido utilizada com frequência como instrumento indicador de obesidade nesses grupos (HIMES & DIETZ, 1994), apresentando significativas correlações com medidas das dobras cutâneas e densitometrias gerais neste grupo etário (REVICKI & ISRAEL, 1986).

Como o Jiu-Jitsu é subdividido em categorias de massa corporal (kg), a estimativa da composição corporal de atletas representada pelo IMC, permite analisar a possibilidade de um atleta reduzir seu peso corporal objetivando competir em uma categoria abaixo da sua, que engloba sujeitos com menores níveis de massa corporal, evitando a ocorrência de significativa diminuição de massa muscular e/ou desidratação, sabendo que uma baixa quantidade de gordura corporal é recomendada na maioria das modalidades esportivas (FRANCHINI et al, 1997).

Em relação às variáveis antropométricas, os dados aqui apresentados assemelham-se significativamente com estudo realizado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que analisaram as variáveis antropométricas de oito Judocas treinados, com média de idade de 15,6±1,0 anos, massa corporal de 64,0±5,6kg e estatura de 1,7±0,5m. Percebe-se que nos dois estudos as estaturas dos sujeitos avaliados apresentam-se semelhantes em relação ao desvio padrão, o que pode ser explicado tendo em vista a proximidade das faixas etárias abordadas.

Em relação ao IMC, Franchini, Takito & Kiss (2000) encontraram valores de 21,38 ± 2,3 kg/m2 no grupo avaliado. Já Benavent, Carqués e Carratalá (2003), em estudo realizado com trinta e nove atletas do sexo masculino, pertencentes à Seleção Espanhola de Judô, encontraram valores de IMC de 20,88±3,12 kg/m2 para a categoria infantil e 23,42±3,51 kg/m2 na categoria juvenil. Percebe-se que, quando comparado ao nosso estudo, esta variável apresenta uma correlação entre os três estudos, fato explicável pela homogeneidade dos grupos e o esporte abordado.

O consumo máximo de oxigênio ou potência aeróbia máxima (VO2máx), representa a maior quantidade de ATP que um indivíduo pode ressintetizar de forma aeróbica, definido como a velocidade em que o oxigênio é consumido (DANTAS, 2003). Pollock & Willmore (1993) demonstram a existência de diversos métodos classificados como diretos e indiretos, que objetivam mensurar essa variável funcional, na maioria deles exigindo a realização de esforços físicos em seus testes. O método direto (Ergoespirometria) determina o VO2máx de um indivíduo através de coleta dos gases inspirados e expirados (troca gasosa) durante um exercício com alta intensidade e duração. Os métodos indiretos utilizam equações matemáticas, ou também testes físicos, que estimam o VO2máx a partir de outras variáveis fisiológicas como a freqüência cardíaca (FC), medidas antropométricas como massa corporal e estatura, e/ou dados do rendimento no exercício, como a distância máxima percorrida, o tempo de resistência à um esforço, a freqüência de movimentos, geralmente obtidos em esforços submáximos.

Atualmente, um sujeito, para ser considerado “treinado”, deve apresentar um valor mínimo de Vo2máx de 40ml/kg/min-1, ou valores superiores a este (LEITE, 2000). O resultado obtido em nosso estudo demonstra que mesmo sabendo que a faixa etária aqui abordada é, de forma relativa, considerada baixa, o nível de condicionamento apresentado nesta variável foi muito satisfatório, o que levou à classificação de treinados, atingindo score médio de 39,5±3,7 ml/kg/min-1. Vale ressaltar que os valores de VO2máx tendem a aumentar de acordo com o crescimento e desenvolvimento físico em crianças e adolescentes, assim como a potência aeróbica relativa tende a decrescer com o aumento da massa corporal (MACHADO; GUGLIELMO & DENADAI, 2002). Os atletas de judô, pertencentes às categorias meio pesado e pesado apresentam scores de VO2máx relativo abaixo dos valores de atletas de outras categorias (FRANCHINI, 2001).

Segundo Franchini (1999), alguns estudos foram realizados objetivando identificar os níveis de potência aeróbia de atletas competidores de Judô. A partir da análise destes estudos o autor conclui que mesmo sendo a capacidade aeróbia importante para esta arte marcial, a mesma não exige valores muito elevados de VO2máx. (65 ml/kg/min-1 para homens e 55 ml/kg/min-1 para mulheres), o que não indica que valores superiores aos identificados possam trazer algum tipo de vantagem durante uma luta.

Mesmo sendo o método empregado para a avaliação cardiorrespiratória neste estudo ainda não ser amplamente utilizado ou conhecido, o que pode gerar críticas no meio científico, deve ser ressaltado que o Ownindex Polar® foi testato e validado em estudos recentes (CROUTER; ALBRIGHT & BASSETT, 2004; CRUMPTON et al, 2003), que mostraram suas vantagens na rapidez na sua execução, na segurança e também pelo dato de não ser necessário expor o avaliado a um esforço físico ao qual não está habituado, sendo este aspecto um fator determinante nos resultados do teste (GODOY E BARROSO, 1999). Porém, para uma perfeita execução deste teste, é necessário que ao inserir os dados no instrumento (monitor), o avaliador estime de maneira mais precisa possível a classificação do avaliado em relação ao seu estado atual do nível de atividade física (GODOY E BARROSO, 1999).

O teste de impulsão horizontal objetiva mensurar, de forma indireta, a máxima potência muscular desenvolvida pelos membros inferiores. Neste estudo os dados apresentados (1,9±0,4m) comprovam que o grupo avaliado apresentou bons resultados nesta variável, obtendo um desempenho superior quando comparado aos dados apresentados por De Preux e Guerra (2006), que avaliaram trinta e cinco atletas de judô, do sexo masculino, pertencentes a equipe do Unileste (MG), com idades compreendendo a zona entre sete e treze anos, que apresentaram valores médios de 1,5±0,25m na impulsão horizontal, ressaltando que não foram encontradas na literatura maiores abordagens sobre este tipo de avaliação funcional aplicadas em esportes de combate. Tel diferença apresentada pode ser explicada pelo fato de que a faixa etária avaliada no estudo apresentado por De Preux e Guerra (2006) é relativamente menor do que a amostra avaliada em nosso estudo.

O termo “força muscular” é normalmente utilizado para descrever a capacidade da fibra muscular em exercer uma tensão decorrente de uma necessidade funcional. Tal valência pode ser classificada de três formas de acordo com sua manifestação: força isométrica, força isotônica e força isocinética (FLECK & KRAEMER, 1999).

Nos movimentos aplicados no Jiu-Jitsu, que utiliza-se de valências físicas como resistência muscular localizada (RML), flexibilidade, etc, a qualidade física “força” se mostra de suma importância para o melhor rendimento físico de seus praticantes, principalmente a força de preensão manual aplicada em lutas que exigem maior contato entre os atletas (FRANCHINI, 1999).

Sabendo que esta característica funcional pressupõe o nível de força total que um corpo pode apresentar (BALOGUM et al, 1991; DURDWARD et al, 2001; NAPIER, 1983; TERAOKA, 1979), além de ser um importante instrumento de avaliação do estado nutricional de um indivíduo (KLIDJIAN et al, 1980; FIGUEIREDO et al, 2000).

Esta manifestação funcional neuromuscular é uma medida relacionada à força isométrica, que é caracterizada pelo emprego de uma força máxima sobre um objeto, fazendo com que um músculo realize uma contração, permanecendo tensionado por um curto período de tempo (SCHLUSSEL et al, 2008).

Há anos vários instrumentos de avaliação da força foram projetados e construídos, sejam eles de construções simples (equipamentos de pressão sanguínea), ou que apresentam maior complexidade (sistemas informatizados). Bechtol (1954) projetou, desenvolveu e construiu um equipamento altamente eficiente para mensuração da força de preensão manual, o dinamômetro manual JAMAR®, que é, atualmente, recomendado pela Associação Americana de Terapeutas de Mão (ASHT) para avaliação desta variável, sendo o dinamômetro JAMAR® considerado, segundo Mathiovetz et al (1984), o instrumento mais confiável para uso em avaliações deste tipo.

Neste estudo, os resultados apresentados para a força de preensão manual foram 35,4±14,0 Kg/f, semelhantes, considerando o desvio padrão apresentado, ao estudo realizado por Franchini, Takito e Pereira (2003), que avaliaram atletas-competidores de Jiu-Jitsu, com 25±5,8 anos de idade, 175,2 ± 6,4 cm de estatura, 76,7±11,2kg de massa corporal, e 42±25,2 meses de prática de Jiu-Jitsu, apresentando média de 47,3±6,7kg/f nesta variável, valendo ressaltar que, segundo a literatura, os valores de tal valência se mostram diretamente proporcionais em crescimento de acordo com idade até os trinta e dois anos, onde apresentam um declínio após este teto (limite) etário (DURDWARD et al, 2001). Em estudo similar, apresentado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que avaliaram atletas de Judô, as médias de 38,3±6 kg/f de força de preensão manual foram encontradas em fase pré-competitiva (preparatória), o que corrobora com os dados apresentados em nosso estudo, mostrando a grande equivalência de valores médios entre os grupos avaliados em ambos os estudos, tendo em vista o desvio padrão apresentado em ambos.

Segundo Roemmich & Sinning (1996), que apresentaram um estudo realizado com atletas adolescentes de Luta Olímpica, afirmam que os níveis de força de preensão manual não apresentaram mudanças significativas nas fases inicial, média e final do período competitivo, o que não foi observado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que avaliaram atletas de Judô em plena adolescência, que mostraram que os níveis de força de preensão manual apresentaram um crescimento com o decorrer das fases de treinamento, o que pode ser justificado pelo fato de que no Judô, assim como no Jiu-Jitsu, os atletas realizam constantes picos de contração isométrica através das variadas pegadas realizadas nos quimonos dos adversários, o que não ocorre com tanta constância na Luta Olímpica, onde os atletas realizam movimentos de preensão manual na superfície dérmica do adversário, o que tende a dificultar significativamente uma constante preensão isométrica em cada movimento (FRANCHINI, TAKITO & KISS, 2000).

Conclusão

Em função da escassez de referenciais bibliográficos, os resultados apresentados em nosso estudo contribuem significativamente para uma melhor compreensão desta arte marcial, de forma que treinadores e profissionais da área de educação física devidamente capacitados possam utilizar estes dados como valores de referência para avaliações a serem realizadas com seus atletas dentro da faixa etária abordada, proporcionando identificar o nível atlético que os mesmos apresentam em um determinado momento, objetivando assim o desenvolvimento de planejamentos físicos, técnicos e treinamentos específicos mais eficazes para este público.

Cabe ressaltar que o fato de o índice de massa corporal (IMC) do grupo avaliado apresentar valores pouco acima da classificação “normal”, o que poderia indicar um fator de risco para a saúde (obesidade), é explicável pela grande presença de massa muscular em atletas praticantes de Jiu-Jitsu, o que acarreta em um aumento significativo da relação entre massa corporal total e estatura, ocasionando assim, valores de IMC acima do padrão.

Recomendamos que futuros estudos a serem realizados nesta modalidade, abrangendo mais sujeitos, gênero e faixas-etárias variadas, abordando dados antropométricos como somatotipo, composição corporal e circunferências segmentares possam ser realizados, objetivando apresentar uma maior gama de informações sobre esta arte marcial.

Anatomia no Jiu-Jítsu e MMA





Para um trabalho bem planejado de preparação física conseguir suprir eficientemente as necessidades quanto à preparação técnica (de fato, a parte mais importante para lutadores), antes de qualquer coisa devemos selecionar os exercícios que serão utilizados.

Para isso, o princípio da especificidade deve ser respeitado como um dos principais critérios desta seleção. Afinal, será que lutadores utilizam os mesmos músculos e do mesmo modo que, por exemplo, jogadores de futebol solicitam em seus movimentos? Claro que não.

Assim, apesar de todos os avanços científicos nos meios e métodos utilizados com atletas de modalidades de combate, conceitos básicos como a observação das técnicas em referência à anatomia do movimento às vezes são negligenciados.

Bem devagar, aos poucos, estamos trabalhando em um projeto aprofundado cujo objetivo é trazer luz baseados em conceitos de anatomia aplicados às técnicas de lutas. De toda sorte, a previsão deste lançamento - em livro - será somente para 2012 ou 2013.

No entanto, não custa tentarmos resumir alguns pontos-chave para aplicação de conceitos de anatomia do movimento no Jiu-Jítsu e MMA, em especial sobre os grupos musculares associados às principais técnicas. Para facilitar o entendimento, sugerimos que observem os músculos ilustrados na figura que acompanha este artigo.

Lembramos que nossa análise será sucinta, pelo fato de que, se considerarmos as variações de técnicas e estilo de cada lutador e o fato de que, em muitos golpes, cada segmento corporal realiza movimentos diferentes, a probabilidade de combinações pode ser infinita.

Além disso, em algumas técnicas, existem mais de um músculo primário sendo solicitados; entretanto, para abordagem mais generalizada, nos atemos propositadamente somente aos músculos principais. Desse modo, apesar de se estabelecer que todos os grandes grupos musculares – tórax, costas, coxas e pernas, etc. – devam ser treinados, pois são exigidos durante os combates, procuramos esclarecer quais são as regiões mais solicitadas e, eventualmente, os tipos de ações musculares características dos golpes nessas modalidades.

Jiu-Jítsu

Nos momentos iniciais de um combate o que ocorre, de modo geral, é a possibilidade de o atleta projetar o oponente ou puxá-lo para sua guarda.

Principais músculos solicitados (técnicas de projeção) - Membros inferiores (músculos da cintura pélvica, coxa, perna e pé); região lombar e abdominal (solicitação ligeiramente inferior comparada à região lombar); região das costas (grande dorsal) e do tórax (peitoral maior).

Embora realizem algum trabalho de força máxima ou potência, de modo geral, as musculaturas do antebraço, região lombar, abdominal e pescoço, realizam trabalho de resistência muscular, porém com característica estática ou isométrica (Exemplo: Quando o atleta faz “pegada” no quimono do adversário, ele segura de 1 a 5 segundos – força isométrica – e solta, repetindo constantemente esse procedimento – resistência muscular).

Ainda, embora realizem algumas ações isométricas, as constantes mudanças de direção impõem maior demanda na resistência muscular para as musculaturas anteriores e posteriores do tronco e braços (grande dorsal, peitorais, bíceps e tríceps).

Salienta-se que grande parte dos golpes de projeção envolve rotação e, especialmente, a região lombar e abdominal sofrem grande demanda da capacidade de resistência e aplicação de força rotacional (aplicação de força em movimentos de rotação do corpo no próprio eixo, ou seja, entre a porção superior e inferior).


Principais músculos solicitados ("puxar para guarda") - ações de potência (para o salto de puxada) e/ou resistência muscular de baixa intensidade (nos deslocamentos no tatame) e força isométrica ou estática dos membros inferiores (ao comprimir as pernas ao redor do corpo do adversário – “fechar a guarda”). Além disso, ações de potência da região lombar e abdominal (para se defender de tentativas de projeção por parte do adversário).

Ainda, ações de potência da musculatura das costas e do tórax (respectivamente, no movimento de puxada para a guarda fechada e quando empurra o adversário para evitar ser projetado); ações de força máxima do bíceps (braquial e braquiorradial) e tríceps e, por fim, ações isométricas e de resistência muscular do antebraço, região lombar, abdominal e pescoço.

Principais músculos solicitados (técnicas de solo) - No solo, alternam-se constantemente ações dinâmicas e isométricas (para estabilização de alguma posição). Quanto às ações dinâmicas, há necessidade de força máxima e/ou potência para executar, por exemplo, um golpe de “raspagem”, passagem de guarda ou finalização.

Quando o atleta está por baixo (“fazendo guarda”) observa-se solicitação da região abdominal e lombar nas tentativas de raspagem ou defesa da guarda e dos adutores dos quadris ou “virilha” para manter o adversário na sua guarda (força isométrica). Ainda, das costas e tórax para puxar e empurrar na tentativa de concretizar algum golpe, do pescoço/trapézio e antebraços, respectivamente, para defesa de finalizações e “pegada”. Além disso, observa-se, frequentemente, a solicitação dos membros inferiores na tentativa de “raspar” ou inverter o adversário e também de “repor a guarda”.


Por cima, o atleta que, por exemplo, tenta passar a “guarda alta”, “toreando”, solicita os membros inferiores na tentativa de passar a guarda do adversário, as costas e o peitoral maior para manter sob controle as pernas do adversário e executar a passagem. Ainda, é solicitada a região lombar e abdominal para manutenção do equilíbrio e postura, evitando as tentativas de “raspagem” ou inversão. Além disso, é observada a solicitação do pescoço/trapézio para “fazer postura” para passagem de guarda e na defesa das tentativas de finalização do adversário por estrangulamento. Os antebraços são solicitados para a execução da “pegada”, envolvendo ações que caracterizam o uso da força isométrica, dinâmica e de resistência muscular.

Salienta-se que grande parte das posições de raspagem, reposição de guarda, passagem de guarda, finalização, etc. envolve rotação, solicitando principalmente a região lombar, abdominal, deltóides e membros inferiores. Desse modo, o trabalho de preparo físico e técnico para aplicação e resistência às forças rotacionais é de suma importância para atletas dessa modalidade.

Vale-Tudo ou MMA

Nessa modalidade, são válidas ações técnico-táticas de três estilos de modalidades de combate – luta de projeção, de solo e de contato. Assim, por já tratarmos sobre as ações e regiões musculares mais solicitadas nos dois primeiros estilos, vamos concentrar nossas explicações sobre o terceiro estilo.

Em referência à utilização de golpes traumáticos, os membros inferiores tendem a ter ações de baixa intensidade (deslocamentos no ringue) e de potência: (a) para antecipação, ou seja, execução de golpes antes que haja ação do adversário; (b) nos golpes realizados especificamente pelos membros inferiores – chutes; (c) pela transferência de energia cinética, aumentando a força e velocidade nos golpes com solicitação de membros superiores – socos.

Quando um atleta desfere um chute frontal, “canelada”, joelhada, etc. a perna de ataque perde contato com o solo e uma única perna constitui a base de apoio, implicando manutenção do equilíbrio em apenas um pé. Além disso, quando o atleta realiza uma combinação sequencial de golpes (Ex: “canelada” seguido de socos) e a perna de ataque não retorna ao contato com o solo, é preciso que a musculatura dessa região seja capaz de manter a estabilidade, enquanto o restante dos segmentos efetua ação de grande potência.

Quando o atleta realiza um chute com extensão do joelho (Ex: chute frontal, canelada, etc.), os músculos mais solicitados são os extensores do joelho e flexores do quadril da perna de ataque (musculatura anterior da coxa – quadríceps femoral, iliopsoas, sartório e tensor da fáscia lata), além da região lombar e abdominal (solicitados para manutenção do equilíbrio e postura).

Quando o golpe é realizado somente com flexão do quadril (Ex: joelhada), além da região lombar e abdominal, os músculos mais solicitados são os flexores do quadril (musculatura anterior da coxa – reto femoral, iliopsoas, sartório e tensor da fáscia lata). Na perna que permanece apoiada sobre o solo, os músculos mais solicitados são os extensores do quadril e do joelho (glúteos e musculatura posterior e anterior da coxa), além dos flexores plantares (“panturrilha” - gastrocnêmio e sóleo).

Quanto aos golpes traumáticos com solicitação de membros superiores, observamos a necessidade de grande resistência muscular e potência, especialmente dos deltóides, tríceps e peitoral maior (socos em linha reta – Jab e Direto); bíceps (braquial e braquiorradial), antebraços, deltóides e peitoral maior (socos em ângulo e golpes com antebraço – gancho, upper, cruzado e cotovelada), além de resistência muscular de característica isométrica nos deltóides para manter a guarda alta (braços elevados com as mãos próximas do tórax e da cabeça).

Os músculos abdominais e lombares, além de serem solicitados para manutenção do equilíbrio e postura, transferem a potência iniciada pelos membros inferiores – energia cinética ou do movimento – para as costas e braços, aumentando a força e velocidade dos golpes.

Por fim, os movimentos de esquiva (pêndulo, flexão e extensão do tronco, flexão do tronco lateralmente, etc.) solicitam principalmente a região lombar, abdominal e o grande dorsal. Além deles, os membros inferiores também contribuem, contudo sua solicitação é ligeiramente inferior.


Conclusão

Baseados nessas informações iniciais (resumidas) para reflexão, o(s) treinador(es) em conjunto com o preparador físico do atleta pode auxiliar a direcionar a escolha dos exercícios versados na especificidade e, ir mais longe, ajustando às características individuais do lutador (individualidade biológica) para desse modo conseguir atingir seus objetivos o mais próximo possível da realidade da luta e do atleta em questão.

MMA, Jiu-Jitsu, Judô e Submission: Bandagem Funcional pode prevenir reincidência de lesões no Joelho

Maurício Shogun na época em que teve de se submeter a uma cirurgia para corrigir lesão no ligamento cruzado anterior de seu joelho esquerdo.


No MMA, Jiu-Jítsu, Submission e Judô, por serem práticas de intenso contato físico, a ocorrência de lesões ligamentares do joelho tende a ser maior e mais grave comparados aos esportes onde não há contato como voleibol e tênis de mesa, por exemplo. Dentre diversos ligamentos do joelho (veja imagem adiante), a ocorrência de lesões no ligamento colateral medial (LCM) é elevada. No livro Pronto Pra Guerra apresentamos referências dessas lesões com atletas de Jiu-Jítsu.

Ligamentos do Joelho

Em artigo prévio, os autores, todos japoneses, procuraram associar uma técnica denominada de Taping, também conhecida no Brasil, dentre outras nomenclaturas, como “bandagem funcional” com a prevenção de lesões e alivio de dor (além de segurança subjetiva psicológica) de lutadores. Essa técnica japonesa não invasiva e de baixo custo tem o objetivo de ser o mais funcional possível, ou seja, por meio de fixação de fitas de esparadrapos sobre a pele, promover ótimo posicionamento do segmento e/ou alívio imediato de dores, sem no entanto, restringir a articulação, apenas limitando o movimento indesejado ou o sintoma relatado pelo atleta, mantendo a mobilidade articular.
Taping

No artigo, os pesquisadores relataram que utilizaram a técnica com obtenção de resultados favoráveis com 5 atletas de modalidade de combate (Judô) com lesão grau 1 ("rasgo" incompleto sem instabilidade lateral) e grau 2 (ruptura parcial com ligeira instabilidade lateral). Além disso, afirmaram que os lutadores já haviam recebido permissão médica para o retorno à prática quando aplicaram a técnica. Ressaltaram ainda que, apesar de indícios bem positivos e favoráveis, desejam aprofundar os estudos e introduzir a técnica em escala maior.






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Lesões no MMA



Não importa se é iniciante, intermediário ou atleta de elite. Infelizmente, no caso de lutas, especialmente no MMA, a principal pergunta a ser respondida não é “se” o atleta vai se lesionar, mas “quando” isso vai ocorrer.

Dentre as principais lesões que podem acometer o lutador de MMA, em diversos estudos foi observado que a laceração ocorre com grande incidência. Laceração é uma lesão com sangramento resultante de corte da pele até o tecido subcutâneo, decorrente de golpe traumático – soco, chute, joelhada, cotovelada, etc. Na face, geralmente ocorre maior incidência nos lábios e olhos. Nesse contexto, vale ressaltar que golpes com o joelho e cotovelo (“joelhada” e “cotovelada”, respectivamente) podem produzir cortes mais profundos do que socos

Não são raros os casos no MMA em que a luta é interrompida caso haja sangramento de um dos atletas. Caso o sangramento seja excessivo e persistente, o lutador pode até ser declarado perdedor por ser considerado incapaz de prosseguir no combate. Essa medida visa preservar a integridade física dos atletas. Esse foi o motivo alegado pelos juízes na primeira derrota no MMA do lutador russo Fedor Emelianenko.

O juiz, em consenso com o médico do evento, pode interromper o combate caso haja sangramento excessivo se:

(a) Fornecer vantagem desleal para o adversário;

(b) A origem do sangramento for corte profundo, podendo causar danos irreparáveis;

(c) O lutador continua recebendo golpes contundentes pelo adversário no mesmo corte, em todos os rounds.

Cortes profundos são perigosos, pois podem requerer cirurgia plástica, internação hospitalar, antibióticos intravenosos e dreno pendurado no ferimento durante alguns dias.

Para amenizar ou interromper o sangramento, algumas estratégias utilizadas há muitos anos por médicos de boxeadores profissionais devem ser consideradas no MMA.

Incidência de lesões no Brasil Fight MMA

No Brasil, a prática de MMA vem crescendo a cada ano. Os lutadores estão se profissionalizando e inúmeros eventos de MMA acontecem em todo o país. Porém, paralelo a esse crescimento, faltam dados referentes às lesões ocorridas no MMA brasileiro, sendo o objetivo deste texto descrever as lesões ocorridas no Brasil Fight MMA.

O evento aconteceu no sábado, dia 13 de março, em Belo Horizonte. Reuniu 17 lutadores profissionais de MMA brasileiros e um lutador profissional americano. Destes, 10 lutadores, representando aproximadamente 60%, sofreram lesões que necessitaram de atendimento fisioterápico imediato após o término das lutas.

Foram diagnosticadas um total de 17 lesões importantes, uma média de 1,7 por lutador. Dessas, 52,94% foram contusões, 17,64% cortes, 11,76% entorses e 11,76% estiramentos.

Em estudo realizado no Ultimate Fighting Championship (UFC), lacerações na face foram as lesões mais prevalentes, representando 47,9%. No Brasil Fight MMA, a articulação do tornozelo foi o segmento corporal mais lesionado, representando aproximadamente 30% das lesões. A articulação do joelho, coxa e face ficaram logo atrás, representando 12% cada. Lesões de tórax, braço, cotovelo, mão, perna e nariz representaram 6% cada.

Quanto ao mecanismo de lesão, 53% ocorreram devido ao golpe do lutador adversário, sendo 62,5% chutes e 37,5% socos. 47% das lesões ocorreram devido ao golpe do próprio lutador, sendo 44,44% chutes, 33,33% socos, chave de perna e queda 11,11% cada.

O atendimento fisioterápico imediato foi realizado de acordo com cada lesão. A crioterapia (gelo) foi a conduta mais utilizada, com objetivo de reduzir a dor e edema. Bandagens funcionais também foram muito utilizadas, para estabilizar as articulações lesionadas.

Estudos sobre lesões no MMA brasileiro são fundamentais para melhorar a reabilitação dos lutadores e também para criar medidas preventivas, a fim de reduzir a ocorrência de lesões.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Fisioterapêuta tricolor anima Luis Fabiano

São Paulo envia fisioterapeuta para cuidar do atacante, que se recupera de lesão no joelho direito. Apresentação oficial está marcada para o dia 30

 

Luis Fabiano está recebendo tratamento vip do São Paulo em Sevilha, na Espanha. Nesta segunda-feira, o atacante iniciou tratamento para se recuperar da lesão no joelho direito em um quarto de hotel montado especialmente para atendê-lo. O fisioterapeuta do Tricolor Ricardo Sasaki chegou ao local e logo equipou a suíte com equipamentos do Reffis, como uma maca e outros acessórios.
Luis Fabiano fisioterapia (Foto: Divulgação)Luis Fabiano recebe tratamento VIP do fisioterapeuta Ricardo Sasaki (Foto:  Divulgação / site oficial SPFC)

- Trouxe alguns aparelhos do nosso centro de recuperação (Reffis) e pedi para ficar em um hotel que tivesse uma boa academia. Será um tratamento como se estivéssemos em São Paulo, mas em Sevilha - explicou Sasaki, que já viajou em anos anteriores até a Europa para cuidar de Kaká, Cicinho e Júlio Baptista.

Será um tratamento como se estivéssemos em São Paulo"
Ricardo Sasaki, fisioterapeuta
Sasaki encontrou Luís Fabiano com atraso nesta segunda, por causa da demora em seu voo até Madri, onde fez conexão para chegar a Sevilha. Mesmo assim, acompanhou Fabuloso em sua sessão noturna de fisioterapia, até 21h (horário local). Nos próximos dias, o futuro camisa 9 do São Paulo vai trabalhar em dois períodos (manhã e tarde). Ele ainda não tem data para retornar ao Brasil, já que não pode mais ser inscrito no Campeonato Paulista.

- Não temos pressa porque o Luis (Fabiano) só vai poder disputar a Copa do Brasil em diante. Vamos ficar aqui, trabalhando, sem pressão. Este período vai ser bom para ele cuidar das coisas dele, como a mudança para o Brasil - completou Sasaki.

O fisioterapeuta é o segundo funcionário do Tricolor a chegar a Sevilha para cuidar de Luis Fabiano. O assessor de imprensa Felipe Espindola está na cidade espanhola há dez dias.

A ida de Sasaki também faz parte da estratégia de marketing da diretoria. O jogador poderia realizar o mesmo tratamento na capital, no CT da Barra Funda, mas a ideia é evitar o assédio e fazer crescer o suspense em torno da chegada do Fabuloso. A apresentação oficial está marcada para o dia 30, mas o local é mantido em sigilo. As entrevistas com o jogador também estão proibidas – todas as declarações dele, até o momento, foram divulgadas no site oficial do São Paulo. O objetivo é turbinar o lançamento da nova página do clube na internet.


fonte:http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2011/03/fisioterapeuta-do-sao-paulo-diz-que-luis-fabiano-esta-evoluindo.html

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Análise funcional e estrutural do reparo das lesões extensas do manguito rotador


Objetivos: Avaliar os pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico aberto das lesões extensas do manguito rotador, tanto do ponto de vista estrutural, através de exames por ressonância magnética, quanto funcionalmente. Métodos: Os autores avaliaram 24 pacientes (25 ombros) com lesão extensa do manguito rotador, sendo 14 mulheres e 10 ho-mens, com média de idade de 61,8 anos. Todos os pacientes foram submetidos a reparo com sutura transóssea de pelo menos dois tendões do manguito rotador, no período entre março de 2002 e dezembro de 2004. A avaliação funcional foi realizada baseada no escore da UCLA e a integridade dos tendões, através de exame de ressonância magnética. Resultados: Apesar de incidência de 47,6% de rerruptura, 91,6% dos pacientes obtiveram melhora do status funcional após 23,5 meses, em média, de seguimento, com 84% de bons e excelentes resultados. Conclusões: Baseados nos resultados obtidos, os autores concluem que o reparo aberto das lesões extensas do manguito rotador é um método eficiente no alívio da dor e na restauração dos movimentos.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A propriocepção e sua relação com pacientes lesionados no LCA submetidos ou não ao processo de reconstrução ligamentar

Introdução

Do ponto de vista mecânico o joelho é uma articulação relativamente fraca, sendo as estruturas ligamentares e musculares os principais meios de ligação do fêmur com a tíbia [1,2,3].
Os ligamentos cruzados situam-se no interior da capsula articular sendo o ligamento cruzado anterior o mais fraco [1,2]. Tal característica deve-se ao número reduzido de vasos sangüíneos e colágenos tipo IV [4]. Estas estruturas são diretamente responsáveis pela função de resistência a uma determinada força de estiramento [4].
O LCA é ligamento do joelho mais acometido durante a pratica esportiva, sendo que 50% de todas as lesões ligamentares ocorridas no esporte tem como conseqüência o comprometimento estrutural deste ligamento [2,3,5,6]. A maioria destas lesões ocorre através de movimentos de desaceleração, rotação e saltos [5,6]. As funções do LCA são basicamente duas:

1. Mecânica: evita que o fêmur se mova posteriormente durante a sustentação de peso, estabiliza o joelho na extensão total e evita a hiperextensão. Também estabiliza a tíbia contra a rotação interna excessiva e serve como limitador secundário para estresse em vago/varo quando o ligamento colateral estiver lesado [1,3];
2. Proprioceptiva: por conter mecanorreceptores (corpúsculo de Ruffini, corpos tendinosos de Golgi e corpúsculos de Pacini), o ligamento informa ao SNC sobre mudanças de posição e stress articular que ocorrem no membro [2,4,5,6,7,8,9].
A propriocepção é a capacidade que temos de descrever a sensação de movimento e posição dos membros em relação ao nosso corpo [9]. Essas informações são exclusivamente originadas dos receptores presentes nas cápsulas, ligamentos, tendões e músculos [2]. Sendo assim, as informações visuais, auditivas e cutâneas superficiais não participam de tal função proprioceptiva [2].

Com a ruptura do LCA o joelho fica desprovido tanto de informações proprioceptivas originadas do ligamento quanto de sua função mecânica. Mesmo após a reconstrução ligamentar utilizando o terço médio do tendão patelar ou enxerto do semitendíneo e grácil [9,10] o novo ligamento não readquire histologicamente a função proprioceptiva presente anteriormente à lesão [9]. No entanto, outras estruturas intactas tais como os demais ligamentos, cápsulas e músculos que compõe a articulação do joelho, continuarão a enviar informações proprioceptivas desta articulação ao SNC [7,11,12].
Após a reconstrução cirúrgica e recuperação da ADM e força muscular, o tratamento fisioterapêutico tem por finalidade restabelecer o equilíbrio dinâmico e estático da articulação do joelho [13]. Esta diminuição de equilíbrio que ocorre devido lesão vem sendo motiva de diversos questionamentos entre os profissionais da área médica e fisioterapêutica.

Interessado pela propriocepção e sua relação com o ligamento cruzado anterior, este estudo revisional tem como o objetivo investigar a neurofisiologia da propriocepção e as consequências a nível proprioceptivo que uma lesão ligamentar seguida ou não de reconstrução cirúrgica podem proporcionar aos pacientes.
Foram realizadas pesquisas na base de dados da Bireme e também nas fontes secundarias (livros). Os artigos selecionados constavam entre o período de 1988 até 2004.

A propriocepção e sua neurofisiologia

A propriocepção é caracterizada por aferências neurais cumulativas originadas de mecanorreceptores localizados nas cápsulas articulares, ligamentos, músculos e tendões com destino ao sistema nervoso central [12]. Ela é dividida em três componentes: a) consciência estática da posição articular; b)consciência sinestésica, que detecta o movimento e sua aceleração; c) resposta reflexa eferente, necessária para regulação do tônus e da atividade muscular [6,7,11,12].
Os mecanorreceptores são estruturas terminais especializados, cuja função é de transformar a energia mecânica da deformação física (alongamento, compressão e pressão) em potenciais de ação nervosos que geram as informações proprioceptivas [13]. Esta informação (posição e movimento articular) é originada através de um feedback sensorial aferente dos receptores que se projetam diretamente para as vias reflexas e corticais. Os potenciais de ação gerados devido a este sistema são classificados de acordo com a velocidade de descarga sensorial, sendo assim divididos em receptores de rápida adaptação (cessam a emissão de descarga logo após o início de um estímulo) e receptores de lenta adaptação (continuam a emissão de descarga enquanto o estímulo estiver presente) [12].

Os mecanorreceptores de adaptação rápida são responsáveis por proporcionar sensações sinestésicas conscientes e inconscientes em resposta ao movimento ou aceleração articular enquanto os mecanorreceptores de adaptação lenta proporcionam feedback contínuo, ou seja, informam posição que a articulação se encontra no espaço [12].
Em se tratando da neurofisiologia, o estímulo proprioceptivo possui uma seqüência de sinais até atingir seu objetivo final que é a conscientização articular durante um movimento ou posição estática [12]. Esta seqüência inicia-se através de estímulos (potenciais de ação) que são produzidos pelos mecanorreceptores e percorrem as inervações até chegarem na medula. Na medula encontramos o fascículo grácil (local que recebe informações originadas de receptores do membro inferior) e o fascículo cuneiforme (recebe informações originadas de receptores do membro superior). Destas estruturas os estímulos seguem passando pelo diencéfalo e córtex cerebral, terminando assim na área somestésica (responsável pelo armazenamento de informações proprioceptivas) [12,13,14]. Ao atingirem esta rápida o movimento passa a ser reconhecido pelo cérebro. Este processo possui uma duração em torno de 80 a 100 m/s e é mais rápido que os estímulos dolorosos que seguem a uma velocidade de 1 m/s [12].

Na articulação do joelho encontramos principalmente receptores capsulares, ligamentares, tendinosos e musculares. Estes dois últimos são representados pelo orgãos tendinosos de Golgi e pelos fusos musculares respectivamente. Já os receptores citados inicialmente são representados pelos receptores tipo Pacini, tipo Rufini e tipo Golgi [12].
O fuso muscular é constituído por fibras intrafusais inervadas por neurônios motores aferentes tipo gama e neurônios motores aferentes tipo Ia e tipo II [12]. Isto ocorre devido aos receptores estarem localizados na rápido equatorial e serem estimulados quando o músculo i alongado [12].
Já o órgão tendinoso de Golgi é um receptor localizado na junção músculo e tem por objetivo fornecer informações sobre a tenção no interior dos músculos (contração). Por estarem conectados a um pequeno grupo de fibras musculares, estes receptores tornam-se muitos sensíveis (respondem a forças inferiores 0,1G impostas nas porções musculares) a qualquer alteração de comprimento do músculo demonstrando assim sua função protetora.

Os receptores musculares e articulares trabalham de modo complementar entre si, sendo que um possui a capacidade de modificar a função do outro. Este equilíbrio permite informar de maneira menos ambígua possível sobre um determinado movimento. Assim os mecanorreceptores sensoriais podem representar uma continuidade e não classes distintas e isoladas de receptores [12].

A propriocepção e sua relação com LCA

No ligamento cruzado anterior, encontramos mecanorreceptores tanto do tipo de adaptação lenta quanto os do tipo de adaptação rápida. O mecanorreceptor do tipo Golgi possui caráter dinâmico, adaptação lenta aos estímulos, registram a verdadeira posição articular e estão localizados nas inserções deste ligamento. Já o mecanorreceptor do tipo Ruffini possui caráter estático e dinâmico, adaptação lenta aos estímulos e tem como objetivo informar a mudança na posição articular. O outro mecanorreceptor existente no ligamento é o que pertence ao tipo Pacini cujas características são de adaptar-se lentamente aos estímulos, possui caráter dinâmico e fornecer informações sobre a velocidade articular. Tanto o receptor do tipo Pacini quanto o tipo Ruffini ocupam apenas 1% de toda a superfície do ligamento [5].

Após a reconstrução do ligamento, os principais objetivos da reabilitação são: a)retorno da força muscular; b) recuperação da ADM; c) melhora do equilíbrio estático e dinâmico sobre o membro operado [12]
Diversos estudos vão procurando demonstrar se os mecanorreceptores encontrados nos ligamentos são os principais responsáveis pela propriocepção da articulação do joelho. através de comparações feitas em joelhos com lesão de ligamento cruzado anterior tratados conservadoramente, tratados cirurgicamente e joelhos sadios, diversos autores expuseram seus resultados e opiniões a respeitos de um possível ou não déficit proprioceptivo. Estes resultados mostraram-se bastante contraditórios.

O joelho que possui o LCA lesionado mesmo passando por um tratamento conservador ira apresentar uma deficiência no senso posicional da articulação durante os testes. Um experimento com 13 pacientes tratados cirurgicamente e depois submetidos ao processo de reabilitação fisioterapêutico revelou que os joelhos normais contralaterais apresentavam maior exatidão no senso de posição articular (desvio de 1,21 graus) que os joelhos operados, concluindo assim que a propriocepção após o reparo cirúrgico é melhor quando comparado aos joelhos tratados de forma conservadora, mas quando comparada com os joelhos sadios ela torna-se bastante inferior. Em outro estudo os testes não demonstraram diferenças significativas na reprodução do posicionamento passivo entre o joelho operado há três anos e o não operado [16].

Ao realizar programas distintos de reabilitação sendo o primeiro caracterizado por fortalecimento de extensores e flexores de coxa, treino de habilidade e agilidade esportiva e o segundo por utilizar perturbações antero-posterior e latero-medial sobre a plataforma de balanço, ambos os resultados obtidos demonstraram que a estabilidade do joelho foi aumentada devido ao aumento da função muscular [17].
Após a cirurgia de reconstrução ligamentar já é esperado que ocorra uma hipotrofia da musculatura da coxa operada [3,18]. Como a resposta muscular é mais rápida (duração de 30 a 80 mseg) que a informação originada dos receptores articulares (duração de 200 mseg) este membro fica desprovido parcialmente de informações proprioceptivas facilitando assim o surgimento de lesões. Existem movimentos que duram somente 40mseg, o suficiente para promover algum tipo lesão na articulação. Portanto existe um ponto de vista que relata que os receptores musculares desempenham uma função importantíssima na identificação do posicionamento articular. No entanto existem estudos que contrariam este ponto de vista, indicando apenas uma hipotrofia da musculatura posterior da coxa, não sendo esta capaz de gerar uma deficiência proprioceptiva [6].

Conclusão

Quando ocorre a ruptura do ligamento cruzado anterior o joelho apresenta um déficit proprioceptivo decorrente da lesão do ligamento e da hipotrofia dos músculos da coxa lesionada. Esta diminuição é comprovada pela perimetria e ocorre devido a diminuição da utilização da musculatura da coxa. Quando recuperamos a força desta musculatura através de exercícios de fortalecimento ativo e acrescentamos os exercícios proprioceptivos o joelho recupera sua estabilidade articular.

Referências bibliográficas

1. Moore Kl, O Membro inferior. Anatomia Orientada para Clínica. 3nd ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1992. p.334-453.
2. Fonseca ST, Ocarino JM, Silva PLP, Lage CA, Guimarces RB, Oliveira MTC. Analise da propriocepção e sua relação com o desempenho funcional de indivíduos com deficiência do ligamento cruzado anterior. Rev bras Fisioter 2003;7:253-9
3. Januario M, Jznior EAB. Complicações pós-cirurgia da reconstrução do ligamento cruzado anterior. Fisioter. bras 2003; 4(6):402-8.
4. Sampaio TCFVS, Leite VHR, Souza JMG, Antunes LC. Estudo morfo-histológico da interconexão dos ligamentos cruzados no joelho humano. Rev Bras Ortop 2001;36(10):394-400.