terça-feira, 26 de abril de 2011

Testes de Tensão Neural para o Membro Superior - ULTT1


Ainda destrinchando os testes de ombro utilizados no caso clínico postado semana passada sobre PNF e instabilidade anterior de ombro, vou comentar um pouco sobre o teste neurodinâmico para o nervo mediano.
Os testes de tensão neural adversa ou testes neurodinâmicos são hoje um componente de rotina para muitos fisioterapeutas na avaliação de pacientes com queixas musculoesqueléticas. Estes testes são utilizados para se avaliar a sensibilidade do tecido neural ao stress mecânico. Não é o objetivo desta postagem revisar os fundamentos teóricos e nem o substrato fisiológico destes testes. para isso recomendo a leitura, ou releitura do artigo traduzido Dor do Tronco Nervoso: Diagnóstico Físico e Tratamento.
O desenvolvimento e divulgação dos testes de tensão neural é creditado a Butler, Elvey, Shacklock e Maitland. Existem 3 testes que avaliam a sensibilidade neural dos nervos do membro superior, originados de C5 a T1: O teste de tensão neural direcionado para o nervo mediano (ULTT1 -Upper Limb Tension Test.1), direcionado para o nervo radial (ULTT2) e ao nervo ulnar (ULTT3). Hoje vou descrever apenas o teste para o nervo mediano. Prometo no futuro outras postagens descrevendo os demais testes

NERVO MEDIANO - Neste exemplo supondo paciente com sintomas em membro superior esquerdo.
Sequência de movimentos para o ULTT1
(1) Para a testagem do membro superior esquerdo, o terapeuta fica de frente para a paciente, posicionando-a com a cabeça em posição neutra e abdução de ombro. Com sua mão esquerda, deve aplicar uma força suave para deprimir ligeiramente e estabilizar o ombro do paciente (esta estabilização é importante pois durante o teste, o paciente pode elevar o ombro e aliviar a tensão aplicada ao sistema neural falsificando o resultado do teste), e com a mão direita, envolve a mão do paciente, garantindo o controle do polegar e dedos.

(2)Realize uma rotação externa no braço do paciente (como na figura2), mantendo supinação de antebraço e extensão de punhos e dedos.

(2) Realize extensão suave do cotovelo. Neste momento o (ou a) terapeuta deve prestar atenção para a presença de resistência à extensão de cotovelo ou ao relato do paciente de dor ou reprodução dos sintomas, os quais indicariam um teste positivo.
--- Diferente da figura acima, eu realizo o teste com a paciente com a cabeça em posição neutra. Depois de obter a resposta "normal", eu repito o teste só que agora com a paciente mantendo a cabeça em inclinação lateral desde o início.---
(3) Agora que você sentiu a resistência à extensão de cotovelo e obteve a resposta do paciente quanto à reprodução das queixas e/ou presença de dor durante este teste, ainda faltam duas coisas para você confirmar o seu exame: A diferenciação estrutural e a comparação com a resposta obtida com o teste no braço direito.
A diferenciação estrutural é um procedimento preconizado por Shacklock, e consiste basicamente no alívio dos sintomas do paciente ou aumento da ADM de extensão de cotovelo ao se aliviar a tensão sobre o nervo. No caso do exemplo acima, pode-se fazer isso de duas formas: (1) retornando o punho e dedos para uma posição neutra e repetindo a extensão de cotovelo, ou (2) retornando a cabeça da paciente para a linha média e repetindo o teste.
Em ambos os casos, se houver redução da dor e sintomas e aumento da ADM de extensão de cotovelo, considera-se que exista uma tensão neural adversa no nervo mediano, possivelmente relacionada aos sintomas da paciente (Neste momento não vou discutir se essa restrição se deve à fáscia, para isso consulte o artigo que eu deixei traduzido e veja que existem outros sinais que indicam o envolvimento neural).
Não se esqueça de repetir o mesmo teste no braço contralateral. Se a resposta obtida for exatamente igual, mesmo com a reprodução de dor e limitação de ADM, então existirá a dúvida se esta seria uma resposta normal da paciente.
Quem quiser saber mais, existem várias monografias sobre mobilização neural disponíveis para download. Sugiro uma busca no google: "mobilização neural"*pdf, além de variações como "neurodinâmica", "tensão neural adversa", "teste de tensão"+"nervo mediano", sempre colocando um asterisco seguido de pdf (*pdf), pois assim o google te retorna arquivos pdf - as monografias são geralmente publicadas neste formato.
Quem quiser assistir ao teste, recomendo que acesse este link e assista ao vídeo desta manobra, muito melhor do que os que estão disponíveis no Youtube.

Fixador de cânula de traqueostomia – Faça você mesmo


Todo fisioterapeuta tem um pouco MacGyver, por isso a postagem de hoje é ao mesmo tempo uma aula de artesanato e um serviço de utilidade pública, ou melhor dizendo: um serviço à quem trabalha em hospital público. A escassez de material (às vezes básico como luvas e álcool) é um problema crônico na maioria das unidades e acho que é desnecessário me alongar neste assunto. Por isso resolvi postar um pequeno manual passo a passo de como improvisar um fixador de traqueostomia.
Naturalmente, estou partindo do pressuposto de que na sua unidade você conseguirá ter acesso aos seguintes materiais:
Material:
  • 1 máscara facial de procedimento
  • 4 gazes (não precisa ser estéril)
  • 10cm de esparadrapo (de preferência micropore, se não tiver serve até fita crepe)
Como fazer:
#1- Inicialmente é preciso retirar um pequeno arame que fica dentro da máscara e serve pra moldar no nariz. Não tem mistério nenhum e não é preciso usar tesoura e nem cortar nada, basta abrir devagar a máscara e retirar o arame.



#2- Agora vamos começar a aula de artesanato: Com cuidado destaque os fixadores da máscara. Um detalhe: tratam-se de apenas duas cordas e não quatro, assim, destaque com cuidado e reserve uma das cordas (fig 2.0), se você conseguir vai ficar assim como a figura 2.1 abaixo.
Fig 2.0 e Fig 2.1
#3- Muito bem, mãos à obra: vamos começar posicionando as gazes e a cordinha e em seguida enrolando conforme a figura abaixo
#4- Depois de devidamente enrolado, passe o esparadrapo longitudinalmente para evitar que o fixador se desenrole e reforce também as extremidades. Pronto! agora seu paciente tem um fixador limpinho pra sua tráqueo! Ao prender o fixador nas alças da tráqueo cuidado para não apertar demais pois pode ferir o paciente e corte o excesso de corda com uma tesoura.

Curso on line de equilíbrio ácido-base. Essencial para quem quer sacar de Gasometria Arterial



Olá pessoal,
Todo fisioterapeta que trabalha com respiratória deve saber interpretar um exame de Gasometria Arterial. Obviamente você não precisa memorizar a equação de Henderson- Hasselbach - a não ser que você queira impressionar as calouras . . . mas sinceramente sugiro tentar uma abordagem mais tradicional, pois a demonstração vulgar de conhecimentos geralmente não funciona. De fato, antes de você completar a primeira meia hora de sua explicação sobre a beleza matemática do cálculo do Potencial Hidrogeniônico ela estará dormindo ou nauseada, ou mais provavelmente as duas coisas, resultando em uma caloura sonolenta com os pés cheios de vômito... o que é bem pouco romântico e vai contar muitos pontos negativos em sua vida social na faculdade, diga-se de passagem.

Mas voltando ao assunto:
Existem inúmeros sites na internet dedicados a explicar como se faz a interpretação de uma gasometria. Porém, existe um curso on line sobre os Fundamentos do Equilíbrio Ácido-Base que é simplesmente excelente. Até pouco tempo atrás, minha biblioteca pessoal contava com uma cópia encadernada deste curso. Eu disse contava, pois um dia eu emprestei para um estagiário, e aí vocês podem imaginar o que aconteceu, né?
Pois bem, deixo o link abaixo desta excelente referência para quem quiser aprender e também se aprofundar no tema. A propósito, vale a pena gastar o cartucho da impressora e desembolsar o troco da encadernação !
http://perfline.com/cursos/cursos/acbas/acbas.htm
A propósito, o curso não oferece certificado, apenas o conhecimento.
Acesse o link acima e bons estudos

Vida longa e próspera

Curso on line grátis de Metodologia Científica


A postagem de hoje é muito especial. Ela é útil tanto pra galera que está nos primeiros períodos da faculdade quanto pro pessoal que está na pós graduação. Trata-se de um curso de metodologia científica on line totalmente gratuito. Isso mesmo!
SEM GASTAR NADA! DE GRÁTIS, GRATUITO, 0800!
Eu sei que os alunos dos primeiros períodos acham essa matéria um porre, e que fazem esta disciplina por livre e espontânea pressão, mas acreditem em mim... Metodologia Científica é importantíssimo!
Pensem bem... se ela fosse tão inútil estaria na grade das matérias obrigatórias das especializações e do mestrado?
Pois bem, deixo um link para o curso de metodologia promovido pela Fundação Getúlio Vargas. A FGV é a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), o consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.
Não pensem que por ser de graça é ruim. Eu mesmo já fiz boa parte deste curso, e me agradou bastante. Mas chega de delongas e vamos direto ao ponto: Esta é uma boa oportunidade pra quem quer aprender um pouco mais sobre metodologia científica ou simplesmente relembrar a matéria. Basta acessar o link abaixo e começar o curso
Metodologia de Pesquisa – Conhecimento, saber e ciência
Bons estudos!

Simulações computadorizadas de fixadores internos de coluna utilizando o método dos elementos finitos

AUTOR(ES)

Antonio Marcos dos Santos

FONTE

Universidade de São Paulo

RESUMO

Os problemas freqüentes de patologias ortopédicas e traumáticas da coluna vertebral envolvem a colocação de fixadores internos (parafusos longos, os quais são inseridos nos pedículos posteriores até os corpos vertebrais e conectados por fios nas hastes longitudinais podendo ser fixados em todas as posições pelas porcas). Estes fixadores foram simulados no computador através da construção de modelos geométricos dos mesmos, utilizando o software ANSYS 5.5, que consiste de várias ferramentas para análise do projeto baseado no método dos elementos finitos. Foi também utilizado um software para a modelagem das peças e do conjunto do fixador já existente chamado SOLID EDGE, e logo em seguida o mesmo foi transferido para o software ANSYS 5.5 e simulado. Esta comparação servirá como complemento para possíveis modificações das montagens, dimensões e aplicações, não necessitando de novos ensaios mecânicos na máquina universal de ensaios e sim realizando simulações computadorizada.

ASSUNTOS

elementos finitos; simulation; finite elements; fixador interno; internal fixator; simulação

LINK PARA O TEXTO COMPLETO